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O Sinuelo de boas lembranças
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O Sinuelo de boas lembranças

Nossa visita ao passado, dessa edição, faz parada em Canela em um local da Júlio de Castilhos que recebeu, em áureos tempos, homens e mulheres que têm boas lembranças dele. O Bar Sinuelo foi montado, em 1958, por Artur Brussius em um prédio do Dr. Ruy Vianna Rocha (in memoriam), na esquina com a rua Augusto Pestana. A construção ainda está lá e diversos inquilinos, depois que o médico famoso deixou de ser o principal ocupante com seu consultório, foram se sucedendo até hoje.
O Sinuelo da primeira fase era um bar simples, a esposa de Artur, Alzira, fazia os doces que eram vendidos lá. E eles tinham como ajudante um filho cujo talento é o fio condutor das lembranças da Salada Cultural de hoje.
Quem nos relatou passagens sobre a vida de Heiny Raul Brussius e sobre a melhor fase do Bar Sinuelo, a partir de seu segundo proprietário, é Glenda Viezzer, que foi casada com Raul por 30 anos.
Quando Rubem Oppitz comprou o bar do Seu Artur, no início dos anos de 1960, investiu em modernização (para a época) e embelezamento. Para tal, usou dos serviços de Raul Brussius, que criou a decoração do bar. Logo o Sinuelo passaria a ser frequentado por jovens e casais. Glenda traz boas recordações do Sinuelo (que frequentava com amigos de turma como Índio Campio, Clair Travi, Iraci Pilatti e Nilce Dias) e foi cenário, também, para o seu namoro com Raul, como mostra a foto acima, resgatada. “Seu Rubem Oppitz cuidava muito bem do bar e dos clientes”, diz Glenda. “A gente vinha correndo do cinema para pegar uma das mesas com poltronas compridas, tipo sofá, do Sinuelo. Houve carnavais em que nós saíamos do Clube Serrano, ou chegávamos de São Francisco, com o dia amanhecendo e o seu Rubem servia café da manhã para a gente, no Sinuelo”.

O Sinuelo de boas lembranças

Glenda Viezzer


Foram bons tempos de mais um bar que marcou época em Canela. Com outros proprietários, o Sinuelo manteve as portas abertas por mais uns vinte anos, mas sem a mesma aura de romantismo e aconchego.

À FRENTE DO SEU TEMPO

Quando Artur Brussius veio com a família para Canela para trabalhar com obras, na década de 1950, trouxe um filho que deixou sua marca na cidade, de forma quase anônima. Raul Brussius (o primeiro nome, Heyni, era de uso quase exclusivo do pai e da mãe), nascido em Três Coroas, desde jovem foi um pesquisador curioso sobre o funcionamento das coisas.

O Sinuelo de boas lembranças

Raul Brussius


Criador autodidata de projetos arquitetônicos, talvez Raul Careca tenha despertado o primeiro de seus dons quando seu pai teve fábrica de móveis em Igrejinha. Aprendeu a trabalhar a madeira com maestria, tornando-se um misto de artesão e fabricante de mobílias, muitas vezes feitas na pequena oficina de Luiz Tomiello, na rua Felisberto Soares. Os privilegiados que ainda hoje têm alguma peça ou móvel feito por Raul podem comprovar a qualidade.
O vidro foi muito usado por ele para criação de peças decorativas e utilitárias, quando inventou uma maneira de cortar garrafas. Na eletrônica, Raul Brussius também mostrou outra faceta da sua inteligência. Montou amplificadores para as guitarras da nossa fábrica Sonelli. Em diversas partes do Brasil, de Canela e Taquara a João Pessoa (PB), fez a instalação de equipamentos de projeção em salas de cinema.
A atividade à qual Raul Brussius mais se dedicou, no entanto, foi o desenho arquitetônico. Seria, novamente, uma das atividades do pai fazendo aflorar um talento do filho? Porque seu Artur foi, também, um construtor licenciado pelo CREA. Raul projetou, a pedido de amigos e clientes, muitas fachadas e interiores em Canela. Gostava da Art Déco, mas acrescentava muito de estilo próprio, naqueles anos de 1960, 70 e 80. Não cursou a faculdade, então criava projetos com todos os requisitos e entregava para profissionais devidamente regularizados. Foi desenhista contratado pela Schlieper Construções. Tem, entre obras marcantes, o projeto da bela residência na esquina das Ruas Dona Carlinda e Sete de Setembro, em Canela, onde hoje está o Magnólia RestoBar. Mas a bela mansão foi desenhada naquele estilo, ele dizia, atendendo a pedido do dono, o madeireiro Lodovico Corso. Apesar de linda, não era no seu estilo preferido.
Pessoa de temperamento difícil, Raul morreu aos 62 anos, em 1998. “Ele tinha a cabeça adiantada, para a época”, resume Glenda Viezzer.

O Sinuelo de boas lembranças

O casarão do Magnólia, desenhado por Raul “a pedido”

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