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A FILHA PERDIDA E A MATERNIDADE
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A FILHA PERDIDA E A MATERNIDADE

A FILHA PERDIDA E A MATERNIDADE

Quem já assistiu o filme “A filha perdida”? Um filme que está no Netflix e que trata dos laços amorosos, especialmente entre mães e filhas. Sabem aquela estória de “parem de romantizar a maternidade”? É disso que se trata e é disso que me proponho a pensar. O romance cabe aos amantes e não à maternidade. A maternidade nem sempre , ou quase sempre, não é simples e nem fácil de sustentar. O filme trata justamente desse laço, que pode ao mesmo tempo, ser tão amoroso e tão violento. A ambivalência nas relações entre pais e filhos é algo muito comum e até esperado, o tal “amoródio”. Os problemas aparecem justamente na seara do ódio, onde é “feio” e errado falar sobre isso. E mais uma vez, onde não há palavra, há ato: as relações podem sofrer fraturas na clausura do amor-ódio.

Um autor psicanalista chamado Denis Vasse diz que o “umbigo é clausura”, na medida em que é pelo umbigo que tivemos a ligação primordial mantenedora da vida intra-uterina e que após o nascimento, é a marca impressa da ligação com a mãe. Ele diz que a voz é a que pode fazer a abertura desse aprisionamento. Do umbigo à voz, do ato à palavra. Claro que um bebê não sobrevive sem os cuidados daqueles que assumem as funções parentais, mas também não sobrevive psiquicamente se ao longo do desenvolvimento, não puder dar voz a si mesmo. No início um bebê é falado pelos pais, são eles que doam as palavras para quem ainda não as tem. Depois, a pequena criança vai se apropriando do mundo, através de si mesma. Então é justamente pela intensidade dos afetos nestes encontros tão iniciais e inaugurais que a ambivalência se apresenta.

Lembro de alguns relatos de gestantes que por alguns segundos “esquecem” que estão grávidas e se assustam com isso. Ou de mães de recém nascidos que de tão imersas que estão nesse momento, esquecem de si mesmas, da sua própria existência: sim, é enlouquecedor. Esquecer de que se tem filhos é necessário e saudável do ponto de vista psíquico. Uma mãe só consegue cuidar de si mesma, sair para trabalhar ou estudar se durante estes períodos não estiver ocupada emocionalmente com a sua cria. Há que se ter uma separação dos corpos e uma delimitação dos espaços psíquicos para a sobrevivência tanto da mãe quanto da criança.

A protagonista do filme rompe com a sua posição materna, na medida em que rompe com a sua mãe, com sua filha e consigo mesma. Diante do horror frente ao desamparo infantil, sucumbe ao seu próprio. A vida de todos nós é inaugurada através do desamparo e a maternidade revisita este encontro. São estes momentos tão frágeis e potentes, de perder e de encontrar, de presença e de ausência que fazem a maternidade, tal como ela é.

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