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A SORTE DE SER INVISÍVEL
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A SORTE DE SER INVISÍVEL

 

Experimentei algo instigado nos últimos dias, fiquei invisível. Isso mesmo, por quase 15 dias eu passei incólume por ruas, avenidas lotadas e restaurantes badalados. Sentava sozinha no balcão e nenhum ser humano, veja bem, nenhuma pessoa, além do garçom, conversava comigo.


Não é segredo para ninguém que adoro estar rodeadas de pessoas, que amo estar entre amigos e que conversar então, é meu prato preferido. Mas, experimentei, neste período que passei em SP, ficar quieta.


Ninguém me conhecia, ninguém prestava atenção na roupa que eu estava usando, aliás outra forma de liberdade de uma cidade grande. Se vê de tudo, todos os tipos de pessoas, todos os estilos e todos os gostos e assim, é ainda mais fácil passar despercebido.


Me senti um peixe pequeno em um grande aquário, mas gostei. Não foi solitário, nã foi triste. Pelo contrário, foi libertador. Fiquei sem dirigir, andei por ruas que não sabia onde terminavam, entrei em lugares escondidos e muito charmosos, procurei cada dia um lugar diferente para jantar, almoçar e passear.


Também trabalhei nestas duas semanas com pessoas que não me conheciam. Nenhuma delas sabia quem eu era e estavam também pouco interessadas nisso. O foco era o trabalho, quem faz o que, quando e como. O resto? Pouco importa. Que roupa eu usava para trabalhar, que marca era meu computador ou se eu ia sair para almoçar ou se comeria debruçada em cima da mesa de trabalho. O horário de trabalho - das 20h às 19h - se dava assim, cada um na sua e todos formando um grande conjunto de informações, ideias, planejamento e estratégia. Uma grande engrenagem que funciona sem o mimimi. Ou pelo menos o mimimi não chegava até mim, já que ali ninguém me conhecia.


Foram dias leves, tive uma rotina que há tempos não tinha. De cumprir horário, de ter hora para chegar e para sair, mas foi também prazeroso. Em um dos trabalhos que fiz precisei ligar para as redações de veículos de comunicação e quando eu me identificava, - bom dia, sou Carla Leidens da empresa X, a resposta era sempre: Quem?


Não sei se eu me acostumaria com essa falta de contato, sem o olho no olho que a gente tem por aqui. Talvez sentisse faltava da facção dos amigos, da pegação de pé no café da manhã no Xerox. Mas, o fato é que adorei ficar invisível, adorei flanar pelas ruas me sentindo em um grande aquário onde tubarões e peixes maiores são o alvo. Me senti pequena, livre, solta e com tempo para escolher quem ser, por pelo menos por duas semanas.

 

 

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