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BATENDO NA MESMA TECLA DO BOM GOSTO
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BATENDO NA MESMA TECLA DO BOM GOSTO

BATENDO NA MESMA TECLA DO BOM GOSTO

Ele é um tecladista e arranjador que relutou muito para vir morar na nossa região, talvez pressentindo que, uma vez botando o pé em Gramado e Canela, não voltaria mais para São Paulo.
Produtor de trilhas, vinhetas e jingles, as gravações no seu apartamento (em parte transformado em estúdio) em Gramado permitem a Allex Bessa um cotidiano não muito diferente do que ele levava na capital paulista até vir de muda em 2010. Consegue receber as demandas de gravações, vindas de todas as partes, resolve-as com sua expertise e tem, agora, uma qualidade de vida melhor. “Só quem vem de fora tem a dimensão de como isso aqui é bom”, diz esse santista amante dos teclados e de um capítulo deles chamado rock progressivo, paixão que se instalou definitivamente após o advento da turnê de Rick Wakeman no Brasil na década de 1970.
Fora das quatro paredes, no entanto, a vida em Gramado difere muito da que Allex levava quando tocava no centro do país. O músico com dezenas de participações em shows do Natal Luz, e que hoje se apresenta semanalmente no Empório Canela, Toro de Gramado e alguns hotéis, tem muitos quilômetros rodados como tecladista de shows de bandas e músicos de renome. Tocou em algumas turnês de Rita Lee e integrou uma das formações do grupo de rock progressivo O Terço, ainda na ativa.
Talento forjado na (concordo com ele) melhor década da música brasileira até hoje, os anos 70, Bessa lamenta a imposição da música sertaneja em quase todo país, “fazendo com que o grande público não saiba mais distinguir o que é bom”. Lembra, sem falsa modéstia, de um final de apresentação em um local daqui quando um casal se aproximou e disse: “Aqui a gente ouviu música!”.
O pianista valoriza muito a importância que o gaúcho dá à sua música, que, segundo ele, poderia ser mais executada. Emocionou-se quando ouviu pela primeira vez, em um show em Canela, o público cantar a plenos pulmões o Hino Riograndense. “Pensei comigo... São Paulo tem um hino?”, ele brinca. Infeliz sinal dos tempos.

BATENDO NA MESMA TECLA DO BOM GOSTO 

Allex Bessa em seu apartamento
Foto: Arquivo pessoal

 

 

NO CLUBE, UMA PORTA-VOZ DA MULHER AFRICANA

Após dez anos ininterruptos de grandes debates literários, do Clube do Livro de Canela não se espera outra coisa senão encontros de nível cada vez mais alto. A maturidade do Clube se deve à perseverança do pessoal qualificado que toca esse barco, procurando canais para singrar em um país em que a cultura, hoje, está de vento em proa. Há de melhorar. Parabéns ao Fernando Gomes e à turma que ele aglutina (cito dois membros do “quadro social” do Clube, o João Armando Nicotti e a Patty Viale, representando os muitos outros).
Fazendo jus à fama, então, o CLC está promovendo a estreia dos debates com autores estrangeiros. O primeiro encontro internacional será com a escritora sul-africana Futhi Ntshingila, que irá conversar sobre sua obra Sem Gentileza (veja abaixo). Este encontro faz parte da parceria entre o Clube e o FiliGram - Festival Internacional Literário de Gramado. Desde março, os membros do Clube estão priorizando a leitura de escritores(as) que estarão presentes em setembro no evento gramadense, que trará mais de 50 escritores. Mediante votação, o objetivo é conhecer um pouco mais da obra dos escolhidos.
O debate acontecerá na quinta-feira (30), às 18h30, via Google Meet, e tem ingresso de R$30 para cachê da autora e produção. Para informações, inscrições e dúvidas: [email protected] - Fone: (54) 99192.6187.

Sem Gentileza, Editora Dublinense (Porto Alegre), 160 pg, à venda no Empório Canela.

Os poucos parágrafos de Sem Gentileza que pincei da internet serviram para sentir a pungência com que Futhi Ntshingila retrata as condições de vida de uma mãe e uma filha, negras, amostra nua e pobre de uma violência pré-aparthaid que ainda não cessou.

Do not go gentle, título da versão em inglês, é inspirado em um excerto do poema homônimo de Dylan Thomas (1914 - 1953), escritor favorito da autora:


Do not go gentle into that good night;
Old age should burn and rave at close of day;
Rage, rage against the dying of the light.

Não vás tão docilmente naquela noite linda;
Que a velhice arda e brade ao término do dia;
Clama, clama contra o apagar da luz que finda.

Tradução de Augusto de Campos


“A meu ver o poema é sobre a luta contra a morte. Sem gentileza é uma história que trata da resistência contra as probabilidades de morrer, de modo que este poema se encaixa como uma mão na luva”, explica Futhi. Mvelo e Zola são um extrato de milhares de mulheres e de meninas tratadas como mulheres, em rudes condições de subsistência e dignidade. A obra abre com uma dedicatória: “para as crianças que vivem às margens da sociedade e que passam por dilemas colossais. Suas vozes são importantes”. Mas o livro não é preenchido por páginas de resignação. “Acho que, em vez de enxergá-las (as personagens) apenas como mulheres pobres, eu queria que elas fossem vistas como fortes, orgulhosas e capazes” disse Futhi em entrevista.


Futhi Ntshingila é escritora, jornalista e mestra em Resolução de Conflitos. Pertence à etnia zulu, nasceu em 1974 e vive em Pretória.

 

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