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CAMPO DA PAZ
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CAMPO DA PAZ

 

Vagueio pelos jazigos, buscando velhos amigos
proseio com conhecidos que já não respondem mais;
Revejo fotografias, de rostos que não esqueço;
Acendo velas, com saudades que não se apagam;
Releio cruzes que datam o nascer das minhas lembranças;
As mesmas cruzes, as mesmas flores de plástico,
orações que se repetem e lágrimas que se renovam;


Nesta época do ano sempre estamos propensos a lembrar pessoas que passaram em nossas vidas, desarquivando memórias afetivas e revisitando momentos, afetuosos ou nem tanto.


As famílias decoram os sepulcros e as flores tomam conta do campo santo, onde vemos, infelizmente, a sociedade perpetuar a estrutura econômico/social das comunidades.


Ao centro, praças, flores e avenidas, ou melhor, corredores largos, com os principais sobrenomes do local; Em um plano secundário, corredores mais despojados, menores, onde descansam os restos mortais da classe média; e no último plano, em corredores muito pequenos, os ´túmulos das pessoas mais pobres da localidade;
Eis o modelo urbanístico das cidades, perpassando o plano de vida e valorizando sobremaneira não a integração, mas as diferenças...


Porém, mesmo com este modelo reproduzido, vagueamos por entre as lápides em um passeio repleto de melancolia e saudade..e a saudade é um combustível a embalar lembranças, nos dando a impressão de um reencontro real...com diálogos imaginários banhados de afetividade…


“Meu vôzinho querido, que saudades, encontrou todos da família por í???” Olha ali o Zé do buteco...Tem trago por estas bandas??? e a dona Irene, fazendo doces? Eu sei que a senhora vai gostar destas flores...”


Neste instante, ao lembrar destes momentos, não percebemos que estamos relendo a história da nossa vida, e nada somos senão o somatório do que vivemos…


Então, neste dia de “finados” (que palavrinha esquisita), não pense como um dia dedicado aos mortos, mas às lembranças, às vivências com cada pessoa que tenha passado pela sua trajetória..e deixe rolar uma lágrima pela face, pois neste momento, a alma fala por nossos olhos...chore, lembre, deixe a ternura deste momento inundar seu coração e vagueie por este campo da paz, mas acima de tudo, festeje o fato de não ser você a receber flores.

 

 

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