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É essa a melhor hora para voltar?
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É essa a melhor hora para voltar?

O governo do Estado do Rio Grande do Sul publicou na terça-feira (27) o decreto nº 55.856, que estabelece o protocolo de bandeira vermelha para a educação. Com isso, as atividades presenciais em sala de aula foram autorizadas. Em um primeiro momento, as aulas acontecerão no modelo híbrido: aulas presenciais e também atividades remotas em casa.
O Estado viveu o pior momento da pandemia a pouquíssimo tempo e a pressa para o pleno retorno das atividades está grande, tanto por parte da população como para os nossos governantes. Primeiramente, deve-se analisar que o pico de infectados pela Covid-19 no Estado foi em fevereiro e março, mas os números começaram a se estabilizar agora, em abril. As internações em leitos de UTI já diminuíram drasticamente, cerca de 53%, quando comparados aos números do pico de lotação de hospitais no RS. Os números estão “menos piores”, mas longe de provocar uma sensação de segurança.
Segundo estudos, crianças são comprovadamente mais resistentes ao vírus, quando o contraem, normalmente têm sintomas leves ou os sintomas nem se manifestam. A resistência infantil à doença, no entanto, não as impede de transmiti-la para os pais e professores. Uma parte significativa dos docentes se classifica no grupo de risco, o que torna a vacina imprescindível para os profissionais de escolas. Deveria ser obrigatória para um retorno seguro. Deveria, mas não é.
A nova rotina de ensino, com aulas presenciais e plataformas remotas, será um novo desafio a ser vencido pelos professores.
Por outro lado, não há estudante que adore o ensino remoto ou que prefira ficar quatro horas na frente de um computador, ao invés de estar em uma sala de aula com pessoas.
A expectativa para o retorno está imensa. A ansiedade toma conta das crianças e estar a mais de um ano em um ensino à distância é desanimador.
Mas se estamos em uma pandemia, as atitudes devem ser ponderadas e sacrifícios precisam ser feitos por um bem maior.

RETORNO DAS ATIVIDADES SERÁ GRADATIVO

Conforme divulgado pela Prefeitura, o retorno às escolas será de maneira gradativa. Os estudantes da Educação Infantil e anos iniciais do Ensino Fundamental retomarão as atividades presenciais em 3 de maio. Já os alunos dos anos finais (6° a 9° ano), voltarão uma semana depois, no dia 10 de maio.
O retorno será opcional e a Prefeitura afirma que todos os protocolos de segurança serão seguidos, como o uso de máscaras, distanciamento, higienização das mãos e limitação na capacidade das salas. O protocolo ainda sugere a medição da temperatura de todos ao entrar na escola e a implementação de tapetes sanitizantes.
A secretária de Educação, Janete da Silva Santos, explica que na Educação Infantil os alunos frequentarão a escola em etapas. “Metade deverá estar em sala de aula pela manhã e a outra metade na parte da tarde”, explica.
“Já o Ensino Fundamental, volta no sistema híbrido: os 1º, 2º e 3º anos do turno integral ficam o dia todo e, de 4º ao 9º ano, voltam no mesmo sistema de metade dos alunos em uma semana e a outra metade estuda remotamente. Na semana seguinte, os alunos que estavam em aula voltam ao ensino remoto e os que estavam em casa frequentam as escolas”, acrescenta a secretária.
O prefeito Constantino comentou que o retorno gradativo possibilita se agir dentro da realidade, com cautela e prioridade pela saúde. “Ainda estamos em pandemia, mas é necessário o retorno do ensino”.

INOVAÇÃO NAS ESCOLAS MUNICIPAIS

Em 2019, o turno integral foi implementado em algumas escolas do município e, para dar continuidade a este trabalho, foi investido na implantação de salas de aula modulares, construídas de forma rápida.
Neste primeiro momento, as Escolas Municipais Dante Bertoluci e João Alfredo Corrêa Pinto foram contempladas com a compra de quatro salas.
Cada instituição vai receber duas salas para os alunos de primeiro ano do turno integral. A primeira edificação a ser instalada foi na escola Dante Bertoluci. Na Escola João Alfredo, a instalação aconteceu na quarta-feira (28). Em ambas, a finalização deve acontecer em um mês.
Cada uma das quatro salas modulares implantadas têm layout pensado para atender 25 estudantes por sala, priorizando as séries iniciais. As salas estão aptas para utilização no retorno às aulas presenciais. A secretária municipal de Educação, Janete da Silva Santos, reforça que as salas atendem todos os requisitos legais e de segurança, além de serem módulos de rápida implantação. “Enquanto em um processo normal levaríamos mais de um ano para construção, com as salas modulares temos agilidade para atendermos a demanda”, destacou.
O investimento foi de R$ 459 mil para a fundação, estruturas metálico, paredes, cobertura, fixação, portas, janelas, instalações elétricas e ares-condicionados.  

UCS RETOMA PARTE DAS ATIVIDADES PRESENCIAIS

A direção do Campus Universitário da UCS da Região das Hortênsias participou de reunião on-line com o reitor, Evaldo Kuiawa, para tratar sobre o retorno das aulas presenciais. O encontro virtual foi realizado quarta-feira (28), com a participação de todos os membros da reitoria e dos diretores dos demais campi da UCS.
Foi definido que algumas atividades práticas previstas dos cursos de graduação e pós-graduação poderão ser realizadas presencialmente. As mudanças já impactam no semestre letivo dos bacharelados e dos cursos superiores de curta duração oferecidos na UCS Hortênsias.
O bacharelado em Nutrição volta a receber acadêmicos para as aulas em laboratório, assim como o curso superior de curta duração em Gastronomia, que também passará a utilizar a cozinha didática do campus. Já no Direito, ainda se estuda o retorno presencial para as demandas do Serviço de Atendimento Jurídico Gratuito (Saju).
Cada coordenador analisa as particularidades de cada curso, em consonância com os diretores das áreas do conhecimento, diretores dos campi e diretores acadêmicos. Todas as decisões estão embasadas nas orientações do Centro de Operações de Emergência em Saúde para a Educação da UCS (COE-E Local), que exige o cumprimento dos protocolos de biossegurança relacionados à covid-19.
As disciplinas teóricas de todos os cursos continuarão de forma on-line. Segundo a diretora da UCS Hortênsias, Margarete Lucca, a presencialidade total ainda seria um risco diante do quadro apresentado de contaminação. “Muitas pessoas ainda não se vacinaram, e um retorno imediato às salas, não é recomendado, muitos acadêmicos residem com pessoas do grupo de risco. Manteremos as aulas on-line por segurança”, justifica.  

“TENHO MUITAS DÚVIDAS E MEDOS”

A administração das escolas durante a pandemia também se modificou bastante e a paralisação foi um desafio. A diretora da Escola Pedro Oscar Selbach, Iara Palhano, conta como tem sido esse período e a trajetória para a adaptação. “Os anos finais já trabalham por plataforma desde o dia seguinte ao início da quarentena e, os anos iniciais, por aplicativo de mensagens. Levei os livros dos alunos dos anos iniciais para minha casa e os pais buscavam lá, era o QG para entrega de materiais. Começamos muito bem, com uma queda considerável em maio em função do adiantamento das férias, o que nos custou caro para conseguir retomar as aulas ao mesmo patamar em que paramos”, relata
Iara conta como foi a saga para o ensino remoto e como a instituição de ensino fez de tudo para auxiliar o maior número de alunos possível, destacando a importância da solidariedade e a sobrecarga que existe sobre os professores. “A escola se reinventou. Aos que não tinham acesso, fizemos uma campanha por celulares. Recebemos alguns da comunidade em geral e onze celulares do Condomínio Reserva da Serra. Distribuímos, realizamos impressões, trouxemos para a escola, atendemos em todas as plataformas e, como todos que estavam aprendendo a lidar com o home-office, havia horário para iniciar as atividades, mas não para encerrá-las. Nossa jornada de trabalho passou a ser de 16 horas diárias ou mais. Temos também profissionais com diferentes perfis, com maior ou menor adaptação ao uso de tecnologias para mediar o processo de ensino-aprendizagem e precisamos nos reorganizar. Usar o que de melhor cada um tem, inclusive as famílias que auxiliaram de todas as formas que conheciam, nos tornamos mais próximos também”, diz.
A rotina dos estudantes dentro do esquema estabelecido pela escola mudou bastante. A diretora explica como ocorrem as aulas remotas e os inúmeros problemas que foram encontrados conforme a necessidade de cada família. “A aprendizagem mudou de espaço e falo aqui da realidade que vivo, da escola que trabalho. Ocorrem aulas virtuais diariamente, síncronas, mas que ficam à disposição de forma assíncrona também para serem assistidas quantas vezes for necessário, no horário que a família consegue. Há tarefas a serem realizadas diariamente, disponibilizadas na plataforma, mas os contatos são agilizados por aplicativo de mensagens. Os professores e a direção foram atrás de cada aluno que esteve afastado e tivemos ótimos resultados, da alfabetização ao 9º ano do Ensino Fundamental”, ressalta.
RESPONSABILIDADE
Sobre o retorno às atividades, a diretora explica a responsabilidade da escola com os alunos e que nem sempre poderá ter o controle total das crianças. “Tenho muitas dúvidas e medos. Passamos por momentos muito difíceis na nossa cidade, preocupo-me com a qualidade de aprendizagem das crianças, porque esse é objetivo maior da escola, junto ocorre a socialização, mas escola não é depósito de criança e nem lugar-chave de alimentação. Para tal, devem existir políticas públicas e geração de empregos que propiciem aos pais condições para atenderem às necessidades de suas famílias. Reporto com frequência aos conhecidos que, em tempos de aula, podemos observar um fenômeno principalmente no trânsito: cerca de 10 minutos após o encerramento dos turnos das escolas brotam carros nas estradas, pessoas nos mercados, nas lojas, etc. Isso me preocupa, porque tenho responsabilidade social e jurídica sobre aquela criança que está fisicamente na escola. Apesar de não ficar três ou quatro horas em outros ambientes com pessoas de diferentes perfis e olhares sobre a pandemia, na escola isso acontece. Eu sei que dentro das escolas nós conseguimos organizar, manter os cuidados necessários, estabelecemos contratos psicológicos com nossos alunos e os regramentos fluem. Encontramos algumas dificuldades com os adultos, que circulam sem máscaras e cuidados e, no portão da escola, colocam a máscara. Isso não é efetivo, nem como cuidado, nem como exemplo para a criança que vê no adulto a possibilidade de se espelhar”, diz.
Iara Palhano diz que a expectativa é grande, mas que alunos e professores estão cansados. “Tivemos a experiência de retorno nos meses de novembro, dezembro e janeiro de 2021. Estamos em contato direto com as famílias e com as crianças. Essa volta ao espaço físico da escola é permeada de boas expectativas para que, gradativamente, possamos voltar a conviver, trocar experiências, conversar, criar laços, construir amizades. Enfim, todas as alegrias e angústias que permeiam o espaço escolar. Há também um clima de cansaço na nossa categoria que engloba várias situações”, expõe.
Para um retorno seguro, a diretora diz que a conscientização e o diálogo são as palavras chave. “Muito diálogo, cuidados redobrados, criação de uma rotina diária de cuidados e conscientização de todos os envolvidos direta ou indiretamente, desde o motorista da van, do aplicativo, da vizinha, dos pais que trazem a criança para a escola, dos professores, das funcionárias, da direção, do entregador de alimentos/compras. Esse processo é coletivo, precisa ser visto como responsabilidade de todos e o exemplo deve começar, deve ser dado por quem ocupa os espaços de representatividade”, sugere.

“EXPECTATIVA POSITIVA COM MUITA VONTADE DE VOLTAR”

A professora das séries iniciais do ensino fundamental da escola Pedro Oscar Selbach, Marilda Tegner Ruivo, fala um pouco da realidade do professor nesse momento de incerteza e expectativas altas. “Parar de um dia para o outro com as atividades rotineiras, não é fácil para ninguém. Para mim, não foi. Era primeiramente uma ideia de parada por 15 dias e essa parada quinzenal tornou-se de mais de um ano. Passei por dificuldades e desafios no trabalho, na família e na área financeira. Só agradecia e agradeço diariamente por ter comida na mesa e, eu e minha família, com saúde”, relata.
A professora demonstra-se a favor do retorno com todos os cuidados necessários. “Expectativa é positiva, muita vontade de voltar e vai dar tudo certo. Vamos nos cuidar muito, sempre com máscara, álcool e evitando aglomerações. Sou totalmente a favor do retorno. Defendo vacinação em massa, para todos. Para os professores, funcionários, alunos”, diz.
As preocupações da docente são em relação à disseminação da Covid-19 em sala de aula. Todavia, ela compreende que o ensino está prejudicado de forma remota. “Me preocupo com todos, cuidados devem ser redobrados, mas como professora, não posso esquecer da aprendizagem dos meus alunos. A criança precisa muito da escola. Claro, de braços dados com a família”, explica.

SEGURANÇA PARA TODOS É FUNDAMENTAL

Em busca de melhor compreender esse momento atípico e complexo que estamos vivendo, o NE conversou também com o Jean Machado, projetista de móveis e pai de um aluno do Ensino Fundamental da escola Pedro Oscar Selbach.
Jean conta que o ensino remoto não interferiu de maneira negativa no dia a dia da sua família. “Afetou de forma amena. Me sinto até privilegiado por trabalhar em casa nesse momento, mas sei que a maioria dos pais não tem esse atributo. Pude acompanhar de perto o aprendizado do meu filho, mesmo sabendo que a aula virtual jamais vai substituir a aula presencial e a vivência dele com os colegas, professores e o ambiente escolar”, relata.
Para a família do Jean, a maior dificuldade foi dedicar mais tempo para participar do processo de ensino para que seu filho se dedicasse o suficiente. “Creio que o maior desafio foi fazer com que meu filho não perdesse o foco no aprendizado, e também a demanda de mais tempo de nós, pais, para tentar suprir algumas dificuldades que apareceram”, conta.
O seu filho está animado para o retorno e afirma ter conseguido conter as expectativas diante de tantos decretos. “Ele está com 11 anos, vem acompanhando a situação da saúde e conseguiu entender bem essa questão de volta e não volta. Mas está ansioso pra voltar e rever os colegas e professores. Faz muita falta esse convívio”, explica.
Jean manifesta apoio ao retorno, mas acredita que os professores devem se vacinar o quanto antes. “Sou a favor, desde que os alunos, professores e funcionários da escola tenham segurança. E que o governo do Estado priorize a vacinação imediata de professores e funcionários, e os repasses e envios de equipamento e insumos pra segurança de todos”, diz.

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