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Eles venceram a Covid-19
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Eles venceram a Covid-19

Neste período de pandemia, em meio a tantas notícias que diariamente abalam a sociedade e inúmeras famílias, o Jornal Nova Época (NE) foi buscar, a exemplo do ano passado, histórias de pessoas que foram contaminadas mas superaram a Covid-19. São três homens que tiveram fibra e ajuda na hora certa para superarem, provavelmente, o maior desafio de suas vidas. Conversamos com o jornalista Halder Ramos, editor do NE, o médico obstetra Fernando Valle e o empresário Luciano Rigotto.
Cada um narra como enfrentou dias difíceis, que seguramente nunca mais irão esquecer.

“Estamos em guerra (e perdendo)”

Quando começou o pior momento da pandemia, fui infectado pelo coronavírus. Descobri ao acaso. Decidi investigar uma tosse seca que me acompanhava esporadicamente desde outubro de 2020. Havia feito inúmeros testes para detecção da Covid-19. Todos com resultado negativo. Para descobrir as causas da tosse, fiz um exame de tomografia e a pneumologista Simone Martini identificou uma pequena mancha no pulmão. Fui investigar um problema e, por acaso ou sorte, descobri outro.
Comecei o tratamento em casa, mas o corpo parecia apanhar o tempo todo. Ficava bem durante o dia e tinha febre no turno da noite. Outros sintomas foram surgindo: dores no corpo, cansaço, diarreia e vômito, além de perda de paladar e olfato. Continuei monitorando a situação. Três dias depois da primeira tomografia repeti o exame. O pulmão, que tinha uma pequena mancha, agora estava 25% comprometido. O tratamento foi reforçado com mais medicações. No entanto, voltei a ter febre. Uma febre acompanhada de delírios. Retornei ao consultório médico três dias depois. Nova tomografia, 62% do pulmão comprometido e o diagnóstico que me fez chorar pela primeira vez:
- Você precisa ser internado. Vou recomendar tua internação imediata para a Unimed, sentenciou a precavida doutora Simone.
Era sexta-feira, 26 de fevereiro, quando dei entrada no pronto-atendimento da Unimed Gramado. Na chegada, encontro meu amigo João Paulo Oliveira, que passava por situação parecida. O Jota não tem noção, mas o otimismo dele foi o calmante que eu precisava naquele momento.
- Aqui estamos bem assistidos. Bem melhor tratar aqui do que ficar em casa. Logo, ficaremos bem, disse.
BUSCA POR LEITO
O que eu não sabia é que ali começava uma luta por leito clínico em hospital. O PA da Unimed ofereceu toda a estrutura necessária naquele momento, com médicos e enfermeiros dedicados. Porém, o atendimento ali deve servir apenas de suporte até que ocorra a transferência para algum hospital. E, como citei no começo do texto, estávamos começando o pior momento da pandemia. Não haviam leitos disponíveis e, quando surgiam, outros pacientes mais graves do que eu eram transferidos. Fiquei até domingo na Unimed. Com auxílio de um casal de amigos, consegui vaga no Hospital São Miguel. Fui muito bem recebido pela equipe do doutor Márcio Müller. Apesar de visivelmente esgotados, não faltou atenção e profissionalismo por parte de enfermeiros, técnicos, fisioterapeutas e equipe de limpeza.
O meu pior momento foi logo após a chegada ao hospital. Fiquei um tempo sem o auxílio do oxigênio entre a alta na Unimed e a baixa no São Miguel. Fui para o quarto do hospital e tive uma crise de tosse. Agora vai parecer engraçado, mas não foi: tosse e diarreia definitivamente não combinam. Toquei a campainha pedindo auxílio das enfermeiras para tomar banho. Fui colocado numa cadeira de rodas, com um tubo pequeno de oxigênio ligado e levado ao chuveiro. Enquanto a enfermeira me dava banho, a tosse continuava e, por consequência, a diarreia. Uma situação constrangedora ao extremo. Com vergonha, repetia pedidos de desculpa e a enfermeira tratava de me acalmar:
- Não te preocupa. Estamos acostumadas. Só fica firme na cadeira para não cair, orientava a enfermeira.
Voltei para a cama com a saturação baixa, mas logo fiquei melhor. Ela sugeriu me colocar fraldas. Não concordei. Depois, ainda consegui assistir o Grêmio na derrota para o Palmeiras na primeira final da Copa do Brasil. Ao longo da semana, a recuperação foi fluindo bem. Isolado e sem telefone, tinha bastante dificuldade para dormir. Talvez, pelo efeito da medicação. Não me aprofundei para descobrir. Nessas horas, quando você está sozinho, existe apenas “Um amigo” com quem é possível conversar: Deus. Rezei muito no tempo que estive hospitalizado. Com o hospital lotado, fui transferido do quarto para o terceiro andar. Fizeram a mudança para abrir mais leitos no andar inferior. Minha janela ficava de frente para a Igreja Matriz São Pedro. Na quarta-feira, tirei o oxigênio. Fiquei em observação até quinta, 4 de março, e recebi alta. Quando deixei o hospital, acreditei que a tormenta havia terminado. Ledo engano. Minha esposa, Claudia, não foi me buscar porque havia testado positivo para a Covid-19.

Eles venceram a Covid-19

Recuperação, medo de morrer e nova internação

Meu tratamento continuou em casa. Perdi 10 quilos com a Covid-19. Estava bastante debilitado, a diarreia continuava e faltava o fôlego no menor esforço. Com a Claudia na fase aguda da doença, procurei ajudar mais nos afazeres domésticos. Ficava insistindo para ela comer. Seguimos monitorando os sintomas e fomos evoluindo.
Quando parecia que havíamos reagido, senti fortes dores ao urinar e a sensação de bexiga sempre cheia. Para piorar, medi a temperatura e estava com febre. Apesar de todas as incertezas, não havia sentido medo de morrer. No entanto, na madrugada de terça-feira, 16 de março, o pavor tomou conta. Meu medo era de uma reinfecção pela Covid-19, com a doença tentando atacar outros órgãos, o que descobri depois que não tinha sentido.
Ao amanhecer, contatei alguns médicos pelo Whatsapp. Todos sugeriram que eu fosse imediatamente para a Unimed. Foi o que fiz. No pronto-atendimento, fui examinado e fiz exames. O diagnóstico? Uma infecção urinária. O aspecto positivo é que não havia atingido os rins, mas seria necessária outra internação para fazer medicação intravenosa.
Não vou entrar em detalhes, mas a segunda internação foi muito pior do que a primeira. Não fiquei na ala covid. Estava recuperado e os exames mostraram que havia adquirido anticorpos. Com os remédios, eu me sentia bem, sem dor nenhuma. No entanto, a cabeça não estava legal. O emocional é nosso pior inimigo. Vi e vivi situações que pareciam de filme. Vibrei com altas e chorei de emoção com transferências de meus colegas de quarto. Também chorei emocionado quando um grupo de oração foi ao estacionamento do hospital prestar solidariedade. Na sexta-feira, 19 de março, recebi alta para continuar o tratamento em casa. Nesta quinta-feira, 25 de março, quando comemoro meus 40 anos, escrevo esse resumido relato com a proposta de pedir consciência e para apelar pela valorização da vida. Não sei onde contraí o vírus. Não fui para a praia, não participei de festas com aglomeração e evitei visitar meus pais e amigos. Porém, depois de tudo que passei e fazendo uma reavaliação, admito que não me cuidei adequadamente. Fui diversas vezes almoçar e jantar fora de casa, fui beber em bares, joguei futebol quando foi permitido, fiz inúmeras reuniões presenciais e outras atividades arriscadas em tempos de pandemia. Em grande parte das ocasiões, a máscara ficou de lado.
Depois de passar por tudo que passei, percebi que estamos em guerra. Uma guerra contra um inimigo invisível, mas poderoso. Um adversário que elimina muitos dos nossos soldados diariamente. Não podemos permanecer anestesiados contando apenas números. Por trás de cada número, existe uma pessoa, o luto de uma família que não pode sequer fazer uma despedida póstuma. Chega! Temos que nos cuidar para dar um basta na transmissão e, consequentemente, nas mortes pela Covid-19. Caso contrário, o número que aparece no jornal ou na televisão pode ser alguém querido por nós.

Médico e empresário, salvos pela Medicina e a fé

Médico ginecologista e obstetra e também ex-vereador, Fernando Valle, 53 anos, foi um guerreiro. Não foram dias fáceis, mas com garra, fé e rigoroso tratamento, Valle venceu a Covid-19. Devido à gravidade da contaminação, ele ficou durante 60 dias hospitalizado, sendo que, neste período, 39 dias ficou entubado, respirando com o auxílio de aparelhos. A sua luta contra a doença ocorreu no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. “Após sair da fase crítica da doença até hoje estou em fisioterapia e me recuperando. A falta de ar ainda presente, mas graças a Deus estou vivo”, agradece Valle. “A recuperação é lenta e progressiva. Já retornei a trabalhar e já voltei pros hospitais. Estou muito feliz. Acredito que as inúmeras orações me ajudaram a estar aqui hoje pra contar esta história”, diz Valle.

"Hoje acredito em milagre. Pois eu estar vivo depois de tudo que passei foi um milagre"


Mas ele revela que desde o início da Covid-19 até a sua saída do hospital, vários obstáculos foram superados. Ao chegar na Emergência do hospital, onde foi dirigindo o próprio carro, o médico acreditava que ficaria poucos dias baixado na casa de saúde. Valle ficou por dois dias acomodado em uma poltrona na Emergência e por um dia em um leito á espera por um quarto. Quis o destino que as coisas não transcorressem como ele estava imaginando. “No terceiro dia de hospital já fui para a UTI e no quinto dia fui entubado. Quando a médica me disse que iria me entubar, confesso que pensei que iria morrer. Daí em diante foram dias com o tubo respiratório e, quando fizeram a traqueostomia em mim (também por insistência do meu filho, que ficou sempre comigo) foi a partir daí que fui melhorando”, conta Valle. Para vencer a batalha contra a Covid-19, o ginecologista contou com o auxilio de fonoaudiólogas e muita fisioterapia. Depois de dois meses internado, lutando para viver, Fernando Valle enfim foi pra casa.
Após superar a doença, ele conta que reaprendeu o valor da vida. “Hoje vejo como a vida é um sopro. Por isso, devemos aproveitar o hoje e devemos dar importância aos verdadeiros valores da vida. Valorizar as energias boas e não as coisas negativas da vida. Hoje acredito em milagre. Pois eu estar vivo depois de tudo que passei foi um milagre e isso com certeza se deu devido às orações e às correntes de energia positiva que fizeram eu estar aqui, vivo”, comenta Valle. “Quero aproveitar para agradecer a todos que oraram por mim. Serei eternamente grato por tudo. E não poderia deixar de agradecer à minha esposa Patrícia e ao meu filho Rafael que estiveram ao meu lado nesse período muito difícil que passamos. Gratidão a todos”. Ele finaliza “a pandemia está aí, devemos manter os cuidados. Distanciamento social, álcool em gel, higienização das mãos e procurar seguir a vida com todos cuidados e sem aglomerações”.
No dia 13 de outubro de 2020, o empresário, Luciano Putten Rigotto, 45 anos, sentiu-se mal, apresentando sintomas de contaminação por coronavírus. Ele fez um teste rápido de farmácia, mas o resultado deu negativo. “Eu já estava com o vírus, precisava de oito dias para o teste de farmácia dar positivo”, explica ele. Rigotto então ficou por casa durante uma semana. Acreditava que estava bem, mas logo os sintomas pioraram, chegando até mesmo a desmaiar. Foi quando procurou atendimento médico, sendo constatado que tinha contraído a Covid-19. Em seguida, foi encaminhado para o Hospital Arcanjo São Miguel, em Gramado, onde ficou uma semana aguardando no setor de triagem e posteriormente foi para a UTI.

Eles venceram a Covid-19

FERNANDO Valle

“Foram 32 dias, sendo que 12 dias fiquei entubado. Na hora em que tu chegas em uma UTI eles te colocam uma fralda e te colocam uma sonda para urinar. Depois, você não se governa mais, depende dos outros para tudo. E também não adianta ter pressa. Desde o começo eu tinha muita fé que iria me recuperar”, explica Rigotto. Ele destaca que antes de ser entubado conseguia acompanhar e saber o que estava passando. “Mas eu percebia que minha saturação não estava boa. Fui piorando e quando fui entubado estava com 90% do pulmão comprometido”, revela. Rigotto.

"Hoje eu só agradeço por tudo, sinto muita gratidão e peço pela saúde dos outros"


“O médico, quando me entubou, me passou muita confiança dizendo que em duas semanas eu ia estar de volta. Fiquei com isso na cabeça. Nesse tempo em que apaguei, eu vivia em uma UTI paralela. Dei uma viajada com os remédios...”, diz Rigotto. “Hoje nessa UTI paralela lembro dos nomes dos médicos, mas não lembro do nome das enfermeiras e médicos que me cuidaram, lembro mais da UTI paralela do que da UTI de Gramado”.
O empresário deixou o hospital em uma cadeira de rodas porque tinha perdido praticamente todos os movimentos do seu corpo. Antes de voltar para a sua casa, foi necessário passar um mês na casa do pai para tratar uma escara, uma das consequências do período de hospitalização. Ele deu os primeiros passos novamente em 20 de janeiro deste ano. “Hoje estou bem, perdi um pouco da sensibilidade das pernas, mas estou fazendo fisioterapia”, afirma ele. “Hoje eu só agradeço por tudo, sinto muita gratidão e peço pela saúde dos outros. Hoje estou mais ligado à minha família, prezo pelo convívio familiar, muda muita coisa na nossa vida no pós-Covid. A gente valoriza muito as pessoas, bem mais do que antes”, revela Rigotto.
“Gostaria de agradecer as orações de todos, agradecer aos meus conhecidos diretos e indiretos, foram muitas orações. Foram as orações que me trouxeram de volta”, afirma o empresário. Rigotto diz que ainda sente reflexos da Covid, como cansaço e dores, mas está em tratamento médico para melhorar. A Covid assusta, não dá pra menosprezar. Ela é real e ela mata. Não é brincadeira, temos que nos prevenir”, conclui Rigotto.
Fato que também vai marcar a vida de Luciano, ele foi convidado, após recobrar os movimentos normais, a fazer a coroação de Nossa Senhora de Lourdes em missa na Catedral de Pedra, no domingo em que se homenageia anualmente a Santa. Melhor escolha, impossível.
Luciano também será eternamente agradecido, por fim, aos médicos Dr. Fernando Zanon, Dr. Alexander e Dr. Fernando Ruoso, assim como a toda a enfermagem do Hospital Arcanjo São Miguel.

Eles venceram a Covid-19

Luciano ficou na UTI do Hospital São Miguel, em Gramado

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