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Espia só o trabalho deles!
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Espia só o trabalho deles!

Eles são artistas que se inspiraram no trabalho dos fotógrafos ambulantes que, desde o final do século XIX, retratavam pessoas em espaços abertos. Se hoje os lambe-lambes (o nome vem do costume de aplicarem saliva na placa de vidro para ver em que lado estava a emulsão), são retratistas quase em extinção, os artistas lambe-lambeiros são uma legião que só faz crescer.
Uma excelente mostra desses artistas do teatro “em escala”, vindos de alguns estados, aconteceu em Canela, neste período de Carnaval sem Carnaval, como parte do projeto Arte que nos toca – bonecos da comunidade, do Grupo Daiene Cliquet, contemplado com recursos da Lei nº 14.017/2020 e financiado pelo Ministério do Turismo, Secretaria Especial da Cultura e Sedac, com o intuito de levar a arte à comunidade.
O projeto prevê apresentações (presenciais e virtuais) e oficinas para até 10 de março. Fomos assistir no primeiro dia (15/2), no Centro Social Padre Franco, no Santa Marta em Canela. A plateia eram crianças e adolescentes daquela instituição.
Nunca havia assistido a tantos espetáculos do gênero, no mesmo evento. O teatro lambe-lambe (TLL) é um exemplo de arte naïf (ou “ingênua” e autodidata) em que estão só você, uma caixa escura, um pano por cima e o manipulador do outro lado. Segue um pouco do que a gente viu (também foi apresentado teatro de sombras, com o Grupo Penumbra, do Mato Grosso, que trouxe o espetáculo Sombreando Lendas e teatro de bonecos com o Grupo Daiene Cliquet e o gramadense Lucas Fialho, com The Fialho’s Pocket Show):

HOMENAGEM AO SAMBA

Em um Carnaval que foi zero de samba, a vinda de Sérgio Biff (de Maricá, Rio), da Cia. Títeres de Magéia, com sua encenação na caixa Zicartola Bem na Foto trouxe uma homenagem no ritmo que define um povo - o samba é o carioca em forma de música. Ator titeriteiro, escultor e bonequeiro, Sérgio mostrou um pouco do imenso amor de Cartola, o mais importante compositor da Mangueira, por Dona Zica.

Espia só o trabalho deles!

O mar na caixa

Erik Morais, do Coletivo Agente, veio de Santos (SP) com seu espetáculo de lambe-lambe (O)Mar. Mistura técnica e um pouco de tecnologia, com suas personagens atuando em frente a imagens projetadas. A caixa vira um imenso mar, ora revolto, ora mostrando o fundo, tem naufrágio, tem alusão à arte japonesa e até rola um Yellow Submarine.

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Tudo começou com ela

Ismine Lima (na foto), baiana precursora do TLL no Brasil, costuma se apresentar com Denise di Santos (impossibilitada de vir), figura não menos importante pois ambas introduziram esse formato no Brasil em 1989. Já levaram a sua arte para países como Estados Unidos e Espanha. Ismine, que diz “a gente só faz teatro se tivermos alguma coisa para contar”, tem uma dívida de gratidão com o Festival de Teatro de Bonecos de Canela por ter sido o empurrão inicial para o teatro dela e de Denise. Estiveram aqui mostrando seu trabalho inovador na primeira edição do Festival. Também bonequeira, guarda com afeto alguns ensinamentos de Javier Villafañe, que conheceu em Canela. No Padre Franco, Ismine apresentou Esperando a Dora, em que uma avó aguarda a visita da neta (no caso, a sua própria).

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Trágica

De Pontal do Paraná (PR), a Trágica Cia. de Arte participou com duas performances. Inecê Gomes trouxe Ratos de Biblioteca, cuja originalidade já começou no tipo da caixa e a posição: ela a traz pendurada, como uma mochila na frente da barriga. Admiradora do evento, Inecê veio algumas vezes ao Bonecos Canela. Da mesma companhia, Jaques Beauvoir (na foto ao lado) apresentou A Mulher Megafone.

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Depois do ensaio

O grupo carioca Depois do Ensaio trouxe seus quatro integrantes para mostrar seu trabalho no teatro lambe-lambe. Essa é, no entanto, uma das facetas dos seus talentos, pois são também performers, cantores, bonequeiros, oficineiros, bailarinos e pesquisadores. Tammy Caroline, que acredita que o sucesso do TLL está no mistério que ele provoca, trouxe para Canela o espetáculo Você pode me amar?, falando do abandono de um cão - questão interpretada de maneiras diferentes quando o espectador é uma criança ou um adulto. Fabricio Neri não apresenta Guaraci em uma caixa, mas em um balaio que imita uma oca. Tudo a ver com a história de um índio e uma onça, escrita por um aluno de Fabricio.
Gaia Patricia mostrou na sua caixa Dolores, a Vidente, que leu a mão dos curiosos. Thales Sauvo, que apresentou O Grande Pequeno Circo, disse que às vezes dedica-se à criação de um boneco sem saber ao certo qual será o show. Depois de pronto, analisa-o e decide “o que ele irá dizer”.

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Tammy Caroline e, ao fundo, Fabricio Neri

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Thales Sauvo

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