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FILHOS DO FESTIVAL DE TEATRO DE CANELA
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FILHOS DO FESTIVAL DE TEATRO DE CANELA

 

O movimento cultural canelense tem raízes sólidas. O trabalho iniciado na década de 1980 no Festival de Teatro de Canela deixou um legado que diferencia e faz da nossa cidade uma referência cultural em nível nacional. Canela produz não apenas artistas, mas exporta talentos em diferentes áreas do teatro e da produção audiovisual. Além de brilhar na execução dos eventos locais, como o Sonho de Natal, a classe cultural de Canela conquistou renome e atua com desenvoltura em espetáculos fora daqui.


O diretor artístico do 32° Sonho de Natal, Elias da Rosa, destaca que a geração que surgiu no saudoso Festival de Teatro, que ocorreu entre 1987 e o início dos anos 2000, permanece atuando com arte. “O trabalho feito na base trouxe resultados práticos. Eu, Elias, estou trabalhando no Sonho de Natal graças à oportunidade que tive lá atrás. Temos vários outros profissionais. Cito o José Luís Fagundes, o Cabelo, que atua como iluminador em grandes espetáculos, e a Rubia Vieira, que veio do Rio de Janeiro para fazer a produção de arte da Chegada do Papai Noel. Hoje, o Sonho é ponto de encontro para grandes profissionais surgidos no Festival de Teatro”, afirma.

 

FILHOS DO FESTIVAL DE TEATRO DE CANELA

CABELO Fagundes, Rubia Vieira, Brow Vasquez, Carla Reis, Elias da Rosa e Tiago Melo (Fotos: DaniBat)

 

FADA MADRINHA

O dinamismo cultural de Canela deve muito ao empreendedorismo de Nydia Guimarães. Visionária, ela idealizou a Fundação Cultural de Canela para gerir o Festival de Teatro. Quando iniciou o movimento, Nydia foi escolhida para ser a assessora de Cultura. O setor estava vinculado com a Secretaria de Educação. Com inúmeros contatos no meio artístico, a fada madrinha da cultura foi responsável por trazer grandes nomes do teatro para Canela. Nydia serviu de inspiração para toda uma geração de artistas locais.

 

BERÇO DE TALENTOS

 

FILHOS DO FESTIVAL DE TEATRO DE CANELA

O teatro faz parte da vida de Lisi Berti, 42 anos, desde a adolescência. Atualmente, ela vive somente da arte, como atriz, diretora, professora, preparadora de elenco, autora, locutora comercial e fazendo treinamentos empresariais. “Eu comecei a fazer teatro na Escola Marista nas aulas da professora Inês Lázari Farias. Eu já escrevia e adorava as aulas. O Marista tinha o Grupo GETEM, que participou e foi premiado no primeiro festival com Os Meninos da Rua da Praia, em 1989. Eu era plateia. Fiz uma audição para entrar no grupo depois. Passei e meu pai não me deixou fazer parte do grupo. Entrei no festival como atriz em 1992 e nunca mais parei. Criei meu grupo Artigos. Hoje, Cia Lisi Berti”, resume.


Para a atriz e diretora, o Festival de Teatro era a identidade de Canela nos anos 1980 e 1990. “O festival inspirou nossos corações, formou plateias, profissionalizou artistas, trouxe grandes espetáculos que circulavam pelo país e só vinham a Canela. É diferente o sentimento que nutro por ele. O meu berço é o festival. Só de responder me emociono e acho que muitos dos eventos que temos, de certa forma, beberam nessa fonte”, diz.


Lisi participa do Sonho de Natal ativamente e de várias formas. Na atual edição, novamente atua com as Estátuas Humanas, que está na programação desde 2013. “Longa vida ao Sonho de Natal e a outros eventos de Canela, mas que não se perca jamais a memória e a história”, recorda.

 

“FESTIVAL DETERMINOU MINHAS ATIVIDADES ARTÍSTICAS”

 

FILHOS DO FESTIVAL DE TEATRO DE CANELA

 

O Festival de Teatro de Canela foi determinante na trajetória profissional de uma geração inteira de artistas locais. O produtor Elias da Rosa, 50 anos, é um dos filhos do festival. Atualmente, Elias dirige o Sonho de Natal e o Bonecos Canela. No entanto, sua carreira profissional seria diferente não fosse o evento teatral. “Eu não conseguia olhar para a frente de tanta vergonha. Trabalhava como auxiliar administrativo em uma madeireira.

No entanto, o teatro mudou a minha vida. Em 1987, nosso grupo teatral da Escola Cenecista participou do Festival de Teatro. Tive a honra de ganhar o prêmio de melhor ator”, conta.


De acordo com Elias, o evento desencadeou a descoberta de sua vocação artística. “O festival simplesmente determinou minhas atividades atuais. Fui descobrindo dentro da área várias outras atividades, como produção, iluminação e cenografia até me tornar diretor de espetáculos e produtor cultural”, diz.


Além de eventos em Canela, ele atua em projetos audiovisuais fora daqui. “Atualmente, vivo da arte. Em Porto Alegre, trabalho no documentário de ficção e animação infantil João Ambiente, que é desenvolvido num ônibus adaptado levando noções de sustentabilidade e respeito ao meio ambiente para diversas cidades brasileiras. Também atuo como consultor e produtor executivo de séries de ficção e documentários”, afirma.

 

UM SONHO QUE VIROU REALIDADE PARA UMA GERAÇÃO

 

O diretor de Cultura na Secretaria de Turismo e Cultura de Canela, Tiago Melo, 42 anos, também começou a fazer teatro em sala de aula. Na época, o Festival de Teatro estava em seu auge. “O evento era considerado um dos maiores e mais importantes do Brasil. Tudo o que eu via me inspirava. Eu queria ser como aqueles atores e diretores que vinham com produções maravilhosas para a cidade. Falar do Festival de Teatro para quem não presenciou é muito difícil. É quase como falar de um sonho. Hoje, nada se compara ao que existiu em Canela, simplesmente nada”, enfatiza.


Tiago recorda que recebeu seu primeiro prêmio das mãos de Lilia Cabral aos 14 anos. Ao todo, ele coleciona 42 troféus. “Se eu for falar sobre tudo que eu vivi naquela época de sonhos, precisaria de páginas para contar uma linda e longa história. Sem demagogia, o festival foi o evento que inspirou a minha vida, minha carreira e minha personalidade. Foi a partir de tudo que eu vivenciei que tive vontade de ser artista e acreditar na arte. Deu certo, muito certo”, salienta.


Tiago destaca que o Festival de Teatro possibilitou que ele participasse de um intercâmbio para estudar dramaturgia na Noruega. “O evento me abriu as portas para o teatro profissional. Foi o evento que me lançou como artista e como profissional. Eu devo a minha carreira ao Festival de Teatro de Canela. É uma gratidão eterna”, reconhece.


Além de diretor de Cultura, Tiago presta consultoria para a Rede Plaza de Hotéis e SPA, em Santa Catarina, desde 2008. “Criei o projeto Troupe do Plaza, que atende a demanda da programação artística com espetáculos em dois resorts. Entre idas e vindas, trabalhei durante anos como agente cultural da Fundação Cultural de Canela, dirigi e implantei atrações durante três anos num parque temático em Canela, dirigi espetáculos para eventos em cidades do interior, fiz consultorias para um parque temático em Gramado, trabalhei na Cultura em três administrações diferentes, do PDT, PP e, hoje, MDB. Sem tempo para atender outros clientes por conta do meu cargo, me dedico aos projetos do Departamento de Cultura e tenho dois xodós muito especiais, a Mostra Cultural e o Estrelas do Sonho”, resume.


ESTRELAS DO SONHO


Tiago explica que o “Estrelas do Sonho” é um programa que atende cinco escolas da rede municipal e leva a cultura para 105 crianças através do teatro, da dança e da música. O trabalho vai culminar com o espetáculo da Chegada do Papai Noel. “Sou responsável pelo roteiro, concepção e direção de cena da Chegada. O meu maior desafio é criar um espetáculo composto apenas por crianças e adolescentes, substituindo o elenco tradicional de atores e bailarinos por alunos da comunidade.

 

Isso não quer dizer que a partir de agora os espetáculos serão assim, mas nesse ano essa é proposta, dirigir mais de cem crianças em cena. Criei o projeto porque acredito que, como eu tive sorte e oportunidade de começar na escola, outras crianças e adolescentes também possam ter o direito de vivenciar um momento mágico e despertar o interesse pela arte. Quem sabe surjam novos atores, bailarinos, cantores, músicos de uma nova geração. Confesso que hoje esse projeto é a parte mais gratificante do meu trabalho. Eu amo acompanhar as aulas, os ensaios, ver a evolução dos alunos e, principalmente, vivenciar a vontade que eles têm de aprender coisas novas. Muitas crianças vivem em áreas periféricas da cidade e acreditam no Papai Noel! Agora, imaginem como está o meu coração fazendo esse trabalho? Eu amo isso. Amo ver elas alegres e amo ver elas ansiosas para essa grande noite”, diz.


O diretor de Cultura evita comparar o extinto Festival de Teatro de Canela ao Sonho de Natal. “São eventos completamente distintos com propósitos diferentes, com épocas diferentes e gerações diferentes, mas acredito que quando existe envolvimento e vontade, qualquer porta aberta que ofereça uma oportunidade em que você acredita, pode mudar por completo a sua vida. Comigo foi assim”, conclui.

 

FILHOS DO FESTIVAL DE TEATRO DE CANELA

 

ARTE É TRABALHO: “HOJE, VIVO DO TEATRO COM ORGULHO”

 

O teatro começou a fazer parte da vida de Carla Reis, 41 anos, ainda na escola. Carla substituiu uma prima em uma peça estudantil apresentada no Colégio Bom Pastor. “Eu estava na Escola João Corrêa, mas não imaginava que mergulharia de cabeça no assunto”, conta. Em 1995, ela foi apresentada por Lisi Berti para Clarice Ziegelmamm. “Minha primeira peça foi a Linguagem das Flores, de Federico Garcia Lorca. Desde então, todos os anos, eu passei a fazer teatro. Participei de alguns Festivais de Teatro. Cheguei a ser premiada e tudo. Quando o festival terminou, eu e mais alguns colegas resistimos e continuamos na arte”, recorda.


Para Carla, o festival não foi importante apenas na sua trajetória profissional, mas para toda uma geração. “Muitos que participavam de grupos de teatro tiveram a chance de ter outro olhar para a vida. Foi com o teatro que aprendi a me expressar e a perder a timidez”, diz.


Atualmente, Carla atua como atriz, diretora e produtora de teatro. “Sempre tive outras profissões paralelas. Todas exercidas com muita responsabilidade. Hoje, vivo do teatro com orgulho. Arte é trabalho, mas a profissão ainda sofre muito preconceito. Corri muito para ter meu trabalho reconhecido em Canela. Sou muito grata e feliz por poder trabalhar na minha cidade com meus espetáculos e trabalharia muito mais”, frisa.


No Sonho de Natal, Carla dirige o espetáculo Auto de Natal. “O Sonho de Natal é um evento grandioso e importante pra Canela. O evento servirá de motivação para que mais pessoas sigam a nossa profissão com respeito e amor”, afirma.


Além do Sonho, Carla cria, atua e dirige espetáculos em outras cidades. “Em 2012, vi que podia dar um passo à frente e decidi abrir minha empresa, a Carla Reis Faces Produções. Comecei a dirigir espetáculos, produzir e coordenar eventos”, destaca.


Carla lembra que foi responsável por incluir o irmão, Samuel, no cenário cultural. “Quando ele era pequeno, minha mãe precisava trabalhar e eu tinha que cuidar dele. Então, o Samuel tinha que ir comigo para os ensaios do teatro. Hoje, ele faz rapel na igreja na Chegada do Papai Noel, além de atuar na produção do Auto de Natal e do Festival de Bonecos”, enfatiza.

 

FILHOS DO FESTIVAL DE TEATRO DE CANELA

 

PEÇA FUNDAMENTAL NO AMOR PELA ARTE

 

Rubia Vieira, 42 anos, começou a fazer teatro na Neusa Mari Pacheco. “A escola participava dos festivais e incentivava os alunos a desenvolver a arte. Depois, fui me envolvendo em outros grupos da cidade, oficinas, cursos com profissionais de todo o Brasil. Também tínhamos professores de Artes Cênicas aqui, como a Eliane Carvalho e o Renan Tombesi”, afirma.


Com o gosto pela arte, surgiu a oportunidade de atuar em eventos locais, como a Semana Santa e muitos outros eventos que Canela tinha. “O festival foi a peça fundamental no amor pela arte. Mais do que fazer teatro, assistíamos teatro com muitos mestres da arte de representar. Isso foi fundamental para querer voar mais por outros palcos do Rio Grande do Sul e do Brasil”, afirma Rubia.


Atualmente, ela é atriz, produtora, iluminadora e aderecista. “Sou artista em geral. Faço arte de todas as formas. Moro no Rio de Janeiro há 13 anos e hoje eu ainda vivo da arte, temendo os dias de amanhã. A incerteza da classe é unânime. A cultura está sendo banida do povo, mas o artista é resistência. Sempre vivemos com dificuldades no teatro, batalhando sempre”, alerta.


Mesmo morando no Rio de Janeiro, Rubia volta para Canela para trabalhar na produção da Chegada do Papai Noel. Embora o espetáculo seja feito com a participação de crianças da comunidade, ela evita comparar o legado de cada um dos eventos. “O Sonho de Natal não é como o festival. Não tem a mesma proposta que o festival tinha. Não temos mais teatros em Canela, eles estão fechados e abandonados. O interesse agora é mais turístico e ainda bem que temos o turista. Assim, quem sabe, o Sonho também não deixa de existir”, diz.

 

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