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Hóspedes que se dependuram
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Hóspedes que se dependuram

Muitas plantas se desenvolvem produzindo tecidos rígidos que suportam seu peso e suas estruturas complexas de galhos e folhas, criando troncos com muitas formas, texturas e características que as tornam únicas. Outras plantas e organismos evoluíram se aproveitando destes troncos e galhos abundantes e se desenvolvem dependurados sobre eles, buscando sempre o melhor posicionamento para conseguirem um pouco da preciosa luz do sol, escassa dentro da floresta. Viver sobre um galho no alto de um pinheiro, além de estar mais exposto à luz do sol, permite receber mais vento e isso é útil para dispersar suas sementes e receber água da umidade do ar e da chuva que são capturados com facilidade nestes lugares. Aqui no vale do Rio Silveira é muito fácil encontrar estes organismos devido à boa qualidade do ar e da grande e constante umidade que circula por esta região.
Orquídeas, bromélias, musgos e líquens são os organismos mais frequentemente encontrados dependurados em alguma parte de uma árvore, sendo que pode haver uma predileção de uns pelos pontos mais ensolarados e de outros pelos pontos mais protegidos do sol. Cria-se, assim, uma distribuição destes organismos pelos caules e galhos fazendo com que a floresta pareça ter sido decorada por uma mão hábil, espalhando para cá e para lá alegorias vivas que nascem, crescem e se reproduzem sem nunca tocarem o solo, apenas tutorados pelo lenho grosso de alguma espécie de árvore ou arbusto.
Estruturas construídas por nós, estranhas as florestas e seus troncos, já são amplamente utilizadas por estes hóspedes que se adaptam a circunstâncias muito variadas. Um estéril, frio e rígido fio de arame de cerca, seja ele liso ou farpado, é facilmente colonizado por bromélias do tipo barba-de-pau, dependendo do lugar. Os mourões de cerca também servem de suporte para líquens, musgos e bromélias imprimindo neles o tom do tempo que ali estão, muitos já em decomposição parecendo velhos parceiros destes hóspedes.
A diversidade da vida é o que me encanta na Biologia, mostrando que tem espaço para todos, sejam gigantes araucárias ou fiapos de líquens se aproveitando dos galhos e troncos; seja uma lontra ou um jundiá, que dividem o mesmo espaço no rio mas se alimentam de coisas diferentes; um musgo forrando uma pedra na sombra da mata ou uma orquídea presa na casca de um cambuim buscando o mesmo sol; um graxaim-do-campo e um falcão quiri-quiri, que disputam as mesmas presas escondidas no campo nativo em horas diferentes do dia e da noite; seja um urubu-de-cabeça-preta ou um chimango disputando os restos de alguma carcaça em turnos diferentes. Isso mostra que a evolução opera fazendo com que cada um se especialize no uso do espaço comum, alternando horários e necessidade alimentar específica, o que diminui a competição e traz uma certa harmonia aos ecossistemas. Vejo isso se operar aqui pelos locais onde tenho andado nas margens do Rio Silveira, mesmo suspeitando que a pressão do gado e das lavouras deve ter modificado um pouco a vida e as relações entre a fauna nativa.

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