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Nasce um novo dia no vale
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Nasce um novo dia no vale

Há muitas formas e cores que podem compor o quadro do surgimento de um novo dia. Existem aqueles que começam envolvidos em nuvens baixas, cinzas e agressivas que escondem o sol, mas não a sua luz, tornando tudo meio fantasmagórico em tons de cinza e cheirando a chuva; outros que nascem mosqueados com alguns buracos no paredão de nuvens do nascente e que permitem que o sol espie um pouco a geografia e derrame sua luz dourada sobre a paisagem igual a um grande holofote; tem também aqueles que são dias que precedem noites limpas e frias e que permitem ver o sol em sua plenitude, surgindo primeiro um clarão no leste e que, a cada minuto, mais e mais luz vai surgindo até aparecer a calota dourada - a cabeça do sol, que segue subindo, clareando e esquentando tudo em volta; e tem aqueles diferentes, que se aprecia de um ponto que permite ver um rio encaixado em um vale coberto de campos e matas cortado apenas pelos sons do gargarejo da água se debatendo nos degraus rochosos do seu caminho.
É deste último tipo que descrevo aqui, dividindo o olhar, o olfato e a audição com uns goles de chimarrão e umas inspiradas fundas de puro oxigênio do ar serrano. Posiciono-me num ponto que não está exatamente na direção da nascente, mas mais para o norte e de frente para o leito do rio Silveira que, aqui, se alarga e se espalha num grande lajeado com degraus que criam centenas de pequenas cachoeiras, criando uma pequena ilha ao meio, coberta de um belíssimo capim dourado, denunciando o outono. Numa manhã de dias mais úmidos, uma neblina densa cobre todo o vale um pouco antes da aurora, e esta neblina vai, como se temesse o sol, sublimando e indo embora para que a luz e o calor venham com toda a força de um novo dia. Quando a paisagem clareia a ponto de as cores serem percebidas, o espetáculo é maior, porque há uma mistura de paisagem e de neblina que se esvai em fiapos, deixando que se vejam as coisas, mas não todas.Tudo isso embalado pelo som do rio que corre leito abaixo, fazendo o contraponto do quadro natural. A luz entrando em ângulo cria longas sombras e o campo fica com suas hastes douradas, denunciando o final de seu ciclo anual e prenunciando o inverno, que não tarda.
As negras graúnas, em bandos de dezenas, sacodem o orvalho das penas e começam sobre voos de uma árvore a outra entoando seus contos estridentes e agudos, anunciando o novo dia. Corucacas trocam os dormitórios altos dos galhos das araucárias pelos campos úmidos em busca de alimento. Um pica-pau-do-campo dispara num voo rápido e barulhento de cima de um pinho-bravo e pousa no campo. O sol já se impõe na paisagem e as cores todas retornaram, esverdeando as matas, amarelando o campo e branqueando as pedras. Assim nasce um dia de outono aqui pelo Vale do Rio Silveira,bem perto da Pousada Cachoeirão dos Rodrigues.

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