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O galpão e a hospitalidade
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O galpão e a hospitalidade

O galpão, sempre junto “das casas” na fazenda, é destinado ao abrigo, guarda de material, alimento para o gado. Também estrebaria, estábulo, onde há ordenha, e demais lidas galponeiras. Sua história confunde-se com a própria história do Rio Grande do Sul.
Para lembrar: Glaucus Saraiva, no “aurorescer” do Movimento Tradicionalista, quando da criação da terminologia usada até hoje pelos CTGs, o termo galpão passou a referir-se à sede social do Movimento. Nas palavras do próprio Glaucus, uma espécie de “galpão simbólico”.
Manoelito de Ornelas, no livro Terra Xucra (Sulina, P.A. – 1969), nos fala: “Meu primeiro encontro com o galpão foi de espanto. Vi o braseiro a palpitar, em fagulhas vermelhas e o tronco das cabriúvas a arder e a espoucar às gotas espessas da graxa dos costilhares, espichados nos espetos negros de ferro, cravados de pé como estandartes à margem dos rodados de aço de velhas carretas inservíveis, que emolduravam agora os fogões cobertos de cinza. Em cima, os tetos de palha santa-fé, galvanizados de picumã. Ao lado, a chaleira chiando, com a tampa de flandres a dançar em cima, premida pelo vapor...”.
Ele ainda existe – e resiste – nas estâncias. Se apresenta como um “oásis” na imensidão da pampa: proteção de ventos, geadas, chuvas e sóis. O galpão típico aqui no Rio Grande do Sul é uma construção rústica coberta de telhas, palha, tabuinhas ou zinco, de regular tamanho (conforme as necessidades da fazenda), de madeira bruta, com uma parte dele de chão batido, onde fica o fogo de chão, sempre aceso para uma chaleira, um assado e um canto para a cama de pelegos.
Essa parte, anexa ao galpão das lidas do dia a dia tem, em geral, como característica apenas três paredes. A frente é aberta à recepção, abrigo e aconchego da peonada da estância e, também, a qualquer viajante, tropeiro, gaudério ou andarilho que dele necessite.
Hoje, quando dizemos “pode entrar, o rancho não tem tramela!” – damos a entender que as portas estão abertas...
Mas o galpão é mais: uma construção rústica, sem tramela, sem porta e... sem uma parede – um ambiente sempre aberto e receptivo a quem queira chegar.
Vindo daí, muito provavelmente, a origem e a justificativa da hospitalidade de que tanto nos ufanamos!
Com muita propriedade, o escritor e músico Glênio Fagundes forjou a frase “hospitalidade, nobreza de um povo”. A bem da verdade ela, a hospitalidade – juntamente com o galpão – representa um conceito e um diferencial na história do Rio o Sul... a nossa terra!

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