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O PARADOXO DO TEMPO
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O PARADOXO DO TEMPO

O PARADOXO DO TEMPO

Pensando em como a vida pode ser frágil (e é), lembrei de como as relações podem ser facilmente estremecidas, especialmente em "tempos líquidos": expressão usada pelo filósofo Zygmunt Bauman para falar do amor e das relações nos tempos atuais. Bauman fala de como as relações podem ser líquidas na medida em que não têm sustentação, ou se têm é muito precária. O amor pode escorrer por entre os dedos em questão de instantes.

O instantâneo trazido na era contemporânea pelas mídias sociais como uma urgência de atravessamento do tempo é um paradoxo: ao mesmo tempo em que se pretende avançar rapidamente, se conectar em milésimos de segundos numa espécie de, através dos dedos, tocar o futuro, usamos filtros para parecermos mais jovens e mais belos.

Como avançar para o futuro sem envelhecer? O paradoxo do tempo nos constrange e nos pega em cheio, não tem como escapar: quem cresce, envelhece. Não há como avançar e recuar ao mesmo tempo, ou seria isso uma espécie de passagem por Alice no país das maravilhas? Lembrem-se: “É preciso correr muito para ficar no mesmo lugar”(Lewis Carroll). A urgência do tempo, que não é “do tempo” visto que ele é sempre o mesmo, é da angústia. Essa “coisa” que nos faz querer sair correndo e ao mesmo tempo paralisar, que nos faz chorar e rir “de nervoso”. Os nervos que ficam à flor da pele nos espinhando e que exalam um perfume nada agradável.

A urgência reside justamente na tentativa de acabar, de forma rápida e indolor com aquilo que nos atrapalha. Cancelo, bloqueio, dou unfollow, como num passe de mágica faço desaparecer o motivo do sofrimento e o amor, mais uma vez, desagua pela tela.

A tela do celular é reflexiva porque reflete a nossa imagem em espelho - para onde o meu olhar aponta, o que me encontra? Os relacionamentos são líquidos porque são espelhados, em uma ideia de encontrar alguém exatamente igual, que me entenda e que me ame incondicionalmente. Nessa corrida, ninguém vence. Não se sabe nem onde está a linha de chegada e muito menos a de partida, já que o espelho... "Espelho, espelho meu, existe alguém mais belo do que eu?”- lembram da resposta? “Não, não existe”. Enquanto os nossos olhos estiverem voltados narcisicamente para nós mesmos, numa tentativa de encontrar o duplo, o igual, jamais sairemos do lugar.

A angústia pode sim paralisar, mas também pode nos colocar em movimento, fazendo a vida andar de forma mais compassada.

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