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POR ONDE A VIDA ESCORRE E POR ONDE ELA ACONTECE
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POR ONDE A VIDA ESCORRE E POR ONDE ELA ACONTECE

POR ONDE A VIDA ESCORRE E POR ONDE ELA ACONTECE

A vida acontece nos intervalos, naqueles momentos em que o tempo parece ficar em suspensão. A angústia a que somos assolados pelas urgências e demandas do dia a dia, nos aprisionam à contagem do tempo pelo relógio e pelo calendário: não que esse tipo de convenção social não seja necessário, tem sua importância na organização da vida diária em comunidade. A grande questão é que muitas vezes passamos mais tempo contando o tempo do que realmente sentindo como e de que forma ele nos atravessa, e isso não é sem efeitos. A tentativa de controle do tempo só revela a nossa total incapacidade de o fazer, pois não há nada que nos assegure e que nos garanta a vida em nossas mãos.

O sujeito é movido pela falta, tanto em termos de constituição psíquica como por aquilo que se apresenta através do desejo. Quando um bebê nasce, há uma ilusão de completude com a mãe ou quem ocupa tal função de cuidados e amparo, ilusão necessária para a sobrevivência psíquica. Porém, essa ilusão precisa ir sendo atravessada por aquilo que chamamos de simbólico, que vai dando outros sentidos e configurações à pequena criança. A linguagem é um exemplo disso, chega um tempo que o pequeno precisa balbuciar, falar, se pronunciar de tal forma, que a sua voz seja escutada e que isso tenha um lugar de importância. No princípio existe o “nós vamos tomar banho”, “nós vamos comer”, nós que remete ao bebê e àquele que o cuida, nós que remete a uma coisa só: nós somos um. Aos poucos, aquele pequeno ser começa a ser chamado de “tu”, ou pelo nome próprio, famoso processo de separação e individuação, em outros termos. Precisa haver esses intervalos, entre a suposta completude e o desamparo: são nesses pequenos espaços de tempo, que aquele pequeno ser pode começar a ter que se haver consigo mesmo e aí, o Eu pode surgir.

O Estádio do Espelho é a fase em que ocorre essa extensão narcísica mãe - bebê e remete à imagem em que inicialmente o bebê, quando no colo da mãe, olha para o espelho: ele não enxerga duas pessoas, o que ele vê é uma só, ele é aquela imagem inteira, se reconhece naquilo. Como um início, assim como os inícios amorosos dos casais apaixonados, em que um se “reconhece” no outro, era a parte que faltava, que se encaixa perfeitamente. Novamente aqui, ilusão necessária para que aos poucos essa imagem possa se desfazer e se possa enxergar o outro como outro, e não como espelho de si. Frequentemente escutamos frases assim: “Eu não passo da fase de se conhecer, então, sempre dura dois ou três meses.”- são falas que remetem aos inícios de relacionamentos. E essa é a armadilha, a fase de se conhecer, nesses casos, ainda nem chegou. A pessoa passa três meses se “relacionando” com uma projeção de si no outro, e quando o outro começa a aparecer, não é mais possível sustentar a imagem e ela rapidamente se desfaz.
Que tenhamos a capacidade, sim, de nos reconhecermos no outro, mas que as diferenças que marcam o jeito de cada um possam ser a grande sacada, em termos de crescimento. O reconhecimento de si se dá justamente pela diferença e não pela semelhança, e é por isso que a vida acontece nos intervalos. Aquilo que é muito linear e “igual” pode estar mais a serviço da alienação do que do desejo.

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