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PY3, YUCATÁN - HOLANDA - URUGUAY, NA ESCUTA...
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PY3, YUCATÁN - HOLANDA - URUGUAY, NA ESCUTA...

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Quem conhece esses prefixos um tanto antigos, transmitidos via ondas de rádio, vai lembrar de o quanto foi importante uma forma de comunicação. Estamos falando do radioamadorismo, hoje quase em desuso com o advento e rapidez dos celulares. No dia de homenagear os radioamadores do Brasil, 22 de outubro, fomos conversar com um dos poucos, deles, em Canela. Hermes Luiz Urbani ainda possui em casa os microfones e aparelhos transmissores, em perfeito estado, mas poucas vezes os põe em funcionamento, pois “hoje não se acha mais ninguém sintonizado na frequência”, diz ele.

Na década de 1960 Neni Urbani, seu amigo Ricardo Bauer e outros em Gramado falavam diariamente com um grande círculo de colegas de PX – cerca de 80! - para troca de informações em geral e, por inúmeras vezes, com instituições como os bombeiros para comunicar em primeira mão um incêndio em algum lugar da cidade.

O início desse hobby, então de extrema valia para as comunidades, para Urbani se deu da maneira usual, que é fazer o treinamento em Porto Alegre, obter uma licença de operação e prefixo PX, de abrangência menor e equipamento mais modesto. Passo seguinte para o radioamador é tornar-se um PY, ou seja, um operador internacional. Aí Hermes começou a falar com a América do Sul, e o mundo, sob o prefixo que dá título a esse artigo. “Holanda Uruguay” têm as iniciais do seu nome. Uma pessoa importante no aprendizado de Neni foi o gramadense Darcy Bohrer, sempre com os melhores equipamentos e considerado um papa no assunto. “Hoje quem mais usa o PX são os caminhoneiros”, diz Neni, “e tem muita gente que opera na ilegalidade, sem registro”.

A pequena sala onde Hermes e Ricardo falavam com o mundo ficava no subsolo do extinto prédio da Livraria e escritório de contabilidade de Egon Jung, onde hoje é o Banco do Brasil de Canela. Eles chamavam aquele local de laboratório, e lembro que uma vez estive lá.

Canelista já retratado no Nova Época, em agosto de 2016, Neni contou para Márcio Cavalli muitas das coisas engraçadas que fez na vida, mas omitiu sobre a rádio clandestina. Sim, isso mesmo! Quando a Rádio Clube de Canela encerrava, às dez da noite, do seu pequeno laboratório Hermes e Bauer punham a deles no ar, com equipamentos e uma frequência descoberta com ajuda do expert, na época, Luizinho Wender. “A gente ficava até à meia-noite transmitindo as músicas que a gente gostava e citava os aniversariantes do dia”, Neni lembra. Quase tudo era verdadeiro, ele admite, e confessa que cometeram alguns exageros como anunciar um grande terremoto que estava acontecendo no Japão. Minutos depois, com dor na consciência, informaram que tinham divulgado informação falsa – qualquer relação com os dias de hoje é mera coincidência.

Quando a Brigada Militar de Canela quis fechar o cerco com a rádio pirata, foi hora de encerrar a brincadeira.

 

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Na sua casa, Hermes Urbani mantém os equipamentos de radioamador em perfeito estado

 

PELA PRESERVAÇÃO DA HISTÓRIA E DO AFETO

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Lançamento de livro é sempre uma boa notícia. Hilda Suzana Veiga Settineri, paranaense de Laranjeiras do Sul radicada por muito tempo no Mato Grosso e canelense desde 2017, estreia na ficção (em livro impresso) com As Viagens de Jussara. É uma obra cujo protagonismo é exercido por uma personagem concreta, Jussara, e, de forma muito interessante, por seus sentimentos de amor e solidariedade manifestados de forma atemporal. O cenário das viagens sentimentais de Jussara, casarões antigos espalhados pelo Rio Grande, funciona como um sempre oportuno chamamento à necessidade de preservar a história armazenada dentro de paredes e portas de antigas construções.

Antes de imprimir as vivências de Jussara pelo Estado e por tempos afora, Hilda postou capítulos em rede social, tipo novela moderna, e foi angariando leitores/seguidores capítulo a capítulo. Pedagoga com Especialização, Hilda encaixa na ficção muito dos seus próprios anseios, como educadora, de colaborar para uma sociedade mais justa e humana. Como na passagem em que Jussara, começando a ser cultuada como “a moça dos casarões”, já muito enferma recebia súplicas para “que realizasse toda sorte de milagres, desde curar doenças até apaziguar desavenças familiares e questões de herança” (pg 59). Escritora que domina bem a dinâmica da leitura profunda sem cansar, Hilda deixa na última página (69), a expectativa por uma continuação.

*Em tempo: Lendo as short porém densas stories, logo pensei em sugerir para a autora semelhantes locais de apreço para os canelenses, como o Casarão Centenário do Grande Hotel, o dos Wortmann e o Castelinho Caracol-. Quanta história tem neles, para povoar a imaginação de Hilda!


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O livro está à venda na Pousada Ruppenthal (Canela) e no fone (54) 99613 3613.

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