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Setor econômico vive expectativa pela reabertura
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Setor econômico vive expectativa pela reabertura

O jornal Nova Época foi o primeiro veículo da região a alertar sobre as dificuldades que o sistema de saúde enfrentaria por conta do avanço da transmissão do coronavírus. Com a manchete “O pior momento da pandemia”, que foi veiculada na edição de 19 de fevereiro, o NE trouxe dados que demonstravam o crescimento dos casos de Covid-19. Foi minha última edição como editor do NE antes de ser contaminado pelo vírus. Na semana seguinte, senti na pele o drama do colapso na saúde. Passei três dias aguardando transferência do Pronto Atendimento da Unimed para um leito clínico no Hospital São Miguel.
Enquanto compilava os dados para a matéria, ficava assustado com os altos índices de casos ativos, internações e, especialmente, de óbitos. Vínhamos de um janeiro relativamente calmo em relação ao contágio. No entanto, a primeira quinzena de fevereiro mostrava que um terremoto atingiria a cidade. Passamos de 59 casos ativos em 1° de fevereiro para 201 no dia 18. O número de hospitalizações subiu de 13 para 31. Já os óbitos, subiram de 45 para 59 no mesmo período.


BANDEIRA PRETA
Quando fui internado, o que ocorreu em 26 de fevereiro, começou a vigorar a bandeira preta do Rio Grande do Sul. Fui defensor de que era necessária alguma medida para conter o avanço do coronavírus para aliviar o sobrecarregado sistema de saúde. Esbravejei pela inércia das autoridades. Afinal, a pandemia começou faz um ano no Brasil. Todos sabiam do risco de colapso dos hospitais e, por brigas políticas ou incompetência, não estávamos preparados para enfrentar o pior momento da crise sanitária.
Com a mesma consciência de quem entendeu que eram necessárias medidas duras, defendo que chegou o momento de avaliar a flexibilização para o setor econômico. Não entro na discussão ideológica entre vidas humanas e mortes de CNPJs. Baseio meus argumentos em números e, sem desconsiderar o macro, trago a realidade estritamente local.


QUEDA NOS CASOS
Atualmente, Canela possui 23 casos ativos e 22 pessoas hospitalizadas. Em março, no auge do contágio, chegamos a ter 225 casos ativos e 66 canelenses hospitalizados num mesmo dia. Ou seja, vivemos um momento um pouco mais calmo do que quando fomos classificados com a bandeira preta. Obviamente, o coronavírus deixou e continua deixando um rastro trágico. O nosso hospital segue cheio e o número de mortes continua assustador. Passamos de 59 mortes em 18 de fevereiro para alarmantes 152 óbitos em 8 de abril.
Não podemos relaxar com os protocolos de biossegurança. Uso de máscara, higienização das mãos e distanciamento social continuam sendo fundamentais para evitar a transmissão do coronavírus. Para reabertura dos parques e do comércio em geral, será necessária fiscalização intensa e cuidados redobrados. Entendo a expectativa e concordo com a mobilização do setor empresarial pela flexibilização das restrições. No entanto, defendo que seja mantido o estado de alerta. Vamos reabrir, mas com cautela. O vírus continua sendo um inimigo silencioso e traiçoeiro.

Setor econômico vive expectativa pela reabertura

PREFEITOS PRESSIONAM E GOVERNADOR PEDE PLANO DE FISCALIZAÇÃO

Os prefeitos da região pressionaram o governo estadual na tentativa de flexibilizar as restrições impostas para o setor turístico no Modelo de Distanciamento Controlado. Em reunião com o governador Eduardo Leite, a secretária estadual da Saúde, Arita Bergmann, outros secretários, o prefeito de Canela, Constantino Orsolin (que é presidente da Associação dos Municípios de Turismo da Serra - Amserra), buscaram a flexibilização para parques temáticos e restaurantes.
Orsolin considerou que foi exagerada e pouco aceita a vinda de policiais para a região, somente para fiscalizar estabelecimentos comerciais no feriado de Páscoa. “Acredito que o governador Leite vá diminuir um pouco as restrições, mas ele quer uma rigorosa fiscalização por parte das prefeituras”, diz.
O governador pediu o envio, por parte dos prefeitos, planos de fiscalização para permitir a ampliação das atividades comerciais. Para o governador, é fundamental que todos fiquem cientes da necessidade de cumprir o decreto do Governo do Estado.


RETOMADA
Já o secretário de Turismo de Canela, Ângelo Sanches, e a diretora de Eventos da pasta, Camila Pavanatti, entregaram na terça-feira (6), o plano estratégico para retomada do turismo em Canela e na Região das Hortênsias. O documento foi apresentado ao secretário Estadual de Turismo, Ronaldo Santini, e ao coordenador técnico da área de Turismo da Famurs, Mário Nascimento.
Conforme Sanches, tanto o poder público como a iniciativa privada, por meio dos parques, museus e restaurantes realizaram grandes investimentos para atender aos protocolos de prevenção e segurança dos visitantes e colaboradores dos empreendimentos. “Apresentamos todas as medidas adotadas, que resultaram em uma certificação internacional de turismo seguro em tempos de pandemia. Nada mais justo do que termos nossos pedidos de flexibilização atendidos pelo Governo do Estado”, avalia o secretário.


REGIONAL
Em outra reunião, o prefeito de Gramado, Nestor Tissot, cobrou medidas do governo estadual. No encontro com o secretário de Articulação e Apoios aos Municípios, Agostinho Meirelles, e o secretário estadual de Turismo, Ronaldo Santini, Tissot e empresários locais mostraram dados econômicos regionais.
Entre os números, está uma pesquisa encomendada pelo Sindicato da Hotelaria, Restaurantes, Bares, Parques, Museus e Similares da Região das Hortênsias (SindTur). O estudo revela que 59,8% das empresas fecharão definitivamente as portas nos próximos 60 dias, caso nenhuma medida seja tomada pelo Governo do Estado.
Os empresários apresentaram o que consideram o mínimo do teto de ocupação das atividades econômicas para garantir a sobrevivência das empresas, além da flexibilização de horários e finais de semana. “Apelamos para que sejam liberados ao menos 25% das atividades econômicas ainda fechadas pelos protocolos sanitários do Governo do Estado, bem como a abertura dos comércios não-essenciais aos finais de semana. Os estudos comprovam que não há ligação entre o turismo e as novas ondas da pandemia”, disse o prefeito. Os pedidos foram analisados pelo Gabinete de Gerenciamento de Crise, responsável pela criação dos protocolos, e a expectativa é que ocorra uma flexibilização na sexta-feira (16).

REABRIR PARA EVITAR DEMISSÕES EM MASSA

O decreto estadual do Programa de Distanciamento Controlado não permite a abertura de parques turísticos com a bandeira preta, além de restringir o funcionamento de restaurantes no turno da noite e aos finais de semana. Conforme a presidente da Associação de Parques da Serra Gaúcha, Manoela da Costa Moschem, a categoria está extremamente confiante na flexibilização para a abertura dos parques e para o funcionamento aos finais de semana. “Nós dependemos dessa flexibilização para continuar as nossas atividades. Ao longo de 2020 e 2021, já estamos a mais de seis meses proibidos de funcionar, contando todas as vezes em que tivemos problema com a bandeira. Então, para nós, é essencial”, diz Manoela.
Conforme ela, o setor anunciou demissão em massa e alguns começaram a demitir. “Já demonstramos com dados que a vinda de turistas não tem a ver com a questão do contágio, mostramos um acompanhamento dos dados ao longo do ano de pandemia e é nítida essa conclusão. Se pegarmos dezembro, tivemos um grande fluxo de turistas e não tivemos um maior contágio. O turismo funciona em cadeia. Para termos uma ideia, os hotéis podiam funcionar com até 50% da capacidade e tiveram apenas 22% de lotação no final de semana de Páscoa, o que não dá nem para pagar as contas básicas”, lamenta.
O presidente da ACIC, Lucas Dias, também está otimista com a possibilidade de flexibilização a partir de sábado. “Estamos trabalhando fortemente para que possamos abrir aos finais de semana, seguindo todos os protocolos estabelecidos. Com certeza, o impacto será positivo para os comerciantes da região, visto que a decoração de Páscoa está na rua e agradando muito os turistas que estão visitando a cidade mesmo com todas restrições impostas”, diz Dias.

SINDTUR SUGERE MELHORIAS NO MODELO DE DISTANCIAMENTO

O presidente do SindTur Serra Gaúcha, Mauro Salles, destaca que a iniciativa privada está unida ao poder público na luta pela flexibilização das atividades comerciais. “Estamos trabalhando firme desde o início da bandeira preta para abrir diálogo com o governador e tentar evoluir para uma situação melhor para o nosso turismo. As últimas alterações transformaram a bandeira vermelha em preta para o setor do turismo porque fecha parques e não deixa a gastronomia funcionar aos finais de semana”, argumenta.
Conforme Salles, o diálogo está proporcionando evoluções para o setor turístico. “Na semana passada, evoluímos bastante e conseguimos uma reunião por meio da Prefeitura de Gramado. O Nestor Tissot e o Luia Barbacovi conseguiram uma agenda com o governador a partir de uma demanda que o Sindtur participou. Fizemos uma reunião e apresentamos um estudo feito pela Visão, além de uma pesquisa muito legal que todos os sindicatos de hotelaria fizeram no Estado do Rio Grande do Sul. No final, apresentamos um pedido de alteração dos protocolos do Modelo de Distanciamento controlado do RS”, revela.
Entre as reivindicações para melhorar as condições de trabalho no turismo, os hoteleiros pedem a equiparação das possibilidades de funcionamento dos demais segmentos. “Para que todos fiquem no mesmo nível da hotelaria em todas as bandeiras. Com isso, não fecharia nunca, só reduziria o ritmo quando a coisa complicar”, diz.


MELHORIAS
Salles observa que foram sugeridas melhorias de protocolos e controle de aglomerações, com a utilização de selos. A partir da reunião, o secretário estadual de Turismo, Ronaldo Santini, abriu a possibilidade das entidades fazerem uma reunião com o vice-governador, Ranolfo Vieira Júnior, que se encarregou de levar a pesquisa para a análise do comitê de crise e do governador. “Em cima disso, temos muitas expectativas de mudanças Vimos algumas manifestações do governo no sentido de flexibilizar um pouco a hotelaria. Ainda não temos certeza quanto à reabertura dos parques, que também pedimos. Acreditamos, sim, numa evolução até porque os casos da doença estão diminuindo, as estatísticas estão melhorando bastante e a gente acha que já dá para ter um retorno mais gradual. Vai ser bom porque retoma a confiança do turista, do empresário, de voltar a funcionar. Essa notícia acaba correndo e, aos poucos, a gente vai recuperando o turismo aqui na região”, acredita.
Apesar da possível reabertura, Salles considera que o mês de abril será de recuperação e com baixo movimento. “Se pudermos funcionar, já seria um alento para o setor. No mês de maio, se tudo permanecer mais tranquilo, mais organizado e mais controlado, partiremos para uma retomada mais consistente. Até lá, acreditamos que a vacinação já tenha avançado bastante e há a expectativa de novas vacinas chegando por aí. Daqui para a frente, a gente deslumbra um cenário melhor”, conclui.

 

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