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Um triste e recorrente problema
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Um triste e recorrente problema

O abandono de animais é um problema histórico de Canela. Além de desrespeitar uma vida e suas necessidades essenciais, a displicência impulsiona a poluição, acidentes de trânsito, crueldades e zoonoses (doenças infecciosas transmitidas de animais para seres humanos).
Vale ressaltar que abandonar ou maltratar animais é crime previsto na Lei Federal nº 9.605/98. A pena é de um até cinco anos de prisão. Na prática, no entanto, a lei não é aplicada.
No início da pandemia, a adoção de animais teve um aumento significativo, já que passaríamos mais tempo em casa. As pessoas sentiram a necessidade de um companheiro de quatro patas por perto, mas, como nem tudo é perfeito, com a prorrogação da crise ocasionada pela Covid-19, muitos brasileiros perderam ou tiveram a sua renda reduzida, tornando difícil a manutenção das necessidades básicas das pessoas e, consequentemente, dos bichinhos que moram com elas.


DESAVENÇA
Na última semana, Canela foi palco de uma história envolvendo o abandono de um cachorro e a desavença de um ator global com as autoridades militares.
Em suas redes sociais, o ator Felipe Titto relata o acontecimento da última sexta-feira (9). “Chegando em Canela, lugar em que eu estava hospedado, vi um carro arrancando no acostamento, onde ele tinha acabado de abandonar um cachorro, vira-latinha, que estava correndo em disparada em direção ao carro”, diz.
Titto relata ter tentado conversar com o suposto abandonador quando foi ignorado. “Eu emparelho o meu carro com o carro dele e falo: “Para aí véi, não vai abandonar o cachorro e ir embora”. O homem fechou o vidro e andou, prova que ele estava errado”, comenta.
O ator, que repudiou veementemente a atitude do condutor do veículo, começou a segui-lo, com o objetivo de alertá-lo sobre o crime de abandono de animais. “Até onde eu tiver gasolina eu vou atrás, andamos, desembocando de rua em rua”, relata.
Após alguns minutos de perseguição, o artista afirma parar em frente à sede da Brigada Militar e finalmente conseguir conversar com o suposto criminoso. Porém, o ator relata um confronto verbal com os policiais militares.
Depois, Felipe revela ter pegado o celular para contatar seus advogados. Segundo o ator, os policiais militares se sentiram desacatados e coagidos e o algemaram. O ator ainda relata piadas desrespeitosas por parte das autoridades de segurança.
Titto diz ter conversado com os policiais a respeito de suas intenções. “Acabei meu depoimento, olhei pra ele e disse que a minha intenção nunca foi ferrar com ninguém e só fui até lá porque o cara tinha abandonado um cachorro. Isso é crime e não se faz, mas agora fui tirado pra maluco e isso não ficará de graça”, conclui.
Já a Brigada Militar, relata que o motorista do veículo que supostamente abandonou o animal, se sentiu ameaçado pelo carro que o seguia e foi procurar auxílio dos policiais, pois não saberia o motivo de tal perseguição.
Os militares tentaram entender o que estava acontecendo e o porquê dos indivíduos estarem brigando, mas um dos homens estava alterado e começou a coagir os policiais dizendo que era ator da Rede Globo e que tinha milhões de seguidores nas redes sociais, que entraria em contato com alguém e isso não ficaria assim. O homem foi preso por desacato e conduzido à Delegacia de Polícia.
O cachorro que teria sido abandonado não foi localizado. O caso está sendo investigado. No entanto, sem entrar no mérito de quem está certo ou errado, o episódio demonstra um problema crucial de Canela: os animais de rua.

CANIL MUNICIPAL ABRIGARÁ CÃES EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE

Para tentar controlar as crueldades e o abandono de animais em território municipal, a Prefeitura de Canela estruturou um canil com a previsão de conclusão das obras já neste mês de abril e abertura oficial em maio.
Inicialmente, o canil abrigará somente cachorros, mas os planos são fornecer assistência a gatos, cavalos e animais silvestres. Todos os animais que passarem pelo canil serão castrados e microchipados, com o intuito de tornar cada adotante responsável pelos cuidados do animal que levou para casa.
O secretário municipal do Meio Ambiente, Jackson Muller, fala da importância desse cuidado com os animaizinhos de rua para uma sociedade que procura o progresso. “Uma cidade evoluída, que se importa com o bem-estar da população, é um município que cuida dos animais de rua”, disse.
O canil está localizado no bairro Banhado Grande. Conta com uma sede administrativa e vários espaços individuais para os cães. O local poderá abrigar até 250 cachorros ao mesmo tempo. É um local de passagem e não um lar de longa permanência de animais
Até o momento, já foram investidos R$ 250 mil de verba de compensação de recursos privados. Não há investimento de dinheiro público.
A administração do canil será terceirizada para uma entidade privada, ainda não definida. A empresa ficará encarregada de recolher, castrar, dar banho e hospedar os animais até serem redirecionados a um lar.  

OPERAÇÃO RESGATA ANIMAIS QUE SOFRIAM MAUS-TRATOS

Em ação conjunta realizada pela Polícia Civil de Canela, a Secretaria do Meio Ambiente e Amigo Bicho, 50 galos de rinha e outros animais foram resgatados com o objetivo de combater os crimes ambientais. Os animais estavam alojados na rua Armando Ribeiro, bairro Santa Terezinha. O proprietário dos animais responderá por crime ambiental.

“EXISTE UMA CULTURA DE IMPUNIDADE”, DIZ ATIVISTA

O vereador Jerônimo Terra Rolim, que é ativista pelo direito dos animais e voluntário na ONG Amigo Bicho, esclareceu dúvidas a respeito de maus-tratos e abandonos de animais.
Quando perguntado sobre a situação envolvendo o ator e a Brigada Militar, Rolim afirma precisar ter certeza de que ocorreu o crime e ainda elucida como deve ser feita a denúncia. “Ao presenciar um abandono, primeiramente é necessário ter certeza de que foi um abandono. No caso do ator global, por exemplo, não foi abandono e sim um cachorro solto no bairro São José. Tendo certeza que se trata de um abandono, deve imediatamente se cercar de provas, como fotografia, filmagem, anotação da placa e modelo do carro. Com esses dados, a pessoa pode e deve fazer o registro de ocorrência policial no Cartório de Proteção aos Vulneráveis e Meio Ambiente, que em Canela é comandado pelo delegado Vladimir Medeiros e o agente Maurício Viégas, ou pela internet. Quanto ao cão abandonado, se ninguém fizer alguma coisa, como recolher e castrar e colocar para adoção, o animal vai virar apenas mais um problema público social de zoonoses na cidade”, argumenta.


PERIGO
O ativista explica a nocividade social desses animais soltos e abandonados. ”O perigo em si, em uma ampla e social análise, é fundamentalmente o perigo da proliferação de mais zoonoses na cidade. Canela não tem tratamento de esgoto e muito menos sistema hidrossanitário, o que agrava ainda mais a saúde das pessoas com as doenças eventualmente transmitidas pelos animais abandonados. Quanto ao animal, este terá que aprender a viver fugindo de atropelamento, fugir de chutes, apedrejamentos e envenenamento”, diz.
Jeronimo fala a respeito da falta de apoio público para as ONGs e para aqueles que se propõem a abraçar a causa animal e como isso fortalece o problema dos animais abandonados nas ruas. ”Como não existe um apoio público nem para ONG, nem para a causa animal, todo animal abandonado na cidade vira um problema público social crônico que depende de algum particular fazer alguma coisa”, diz.


BUROCRACIA
Jerônimo critica a burocracia que existe para acabar com a cultura da impunidade que existe quando o assunto é violência contra os animais. “Existe uma cultura de impunidade, onde sempre aqueles que defenderam a causa animal foram taxados como imbecis, pessoas sem nada para fazer, assim como os ecologistas eram tratados como “ecochatos”. Graças ao avanço da legislação e o envolvimento de melhores políticas com a causa e o aumento do número de voluntários, esse assunto cada vez tem melhor repercussão e mais aceitação na sociedade. Porém, ainda são poucas as denúncias e muitas vezes esbarram na falta de provas e absolvição no Judiciário, fazendo com que não exista o caráter punitivo pedagógico da punição. Ainda por cima não há nenhuma ação do governo para trabalhar a educação da população, seja nas escolas, seja com material publicitário, como por exemplo, em Gramado onde é possível ver diversas placas de conscientização de não abandono de animais e cumprimento da legislação sanitária”, desabafa.


POSSE RESPONSÁVEL
Em casos de não conseguir manter um animal por questões financeiras ou espaciais, Jerônimo aconselha que o responsável do animal encontre outra casa para ele, mas pede que só adote se tiver condições de o manter. “Existem, sim, casos de pessoas que têm dificuldade financeira para manter os animais, mas a gente vê pessoas muito pobres fazendo de tudo e não deixando seus bichos passar fome e muito menos abandonando. Quando alguém quer adotar com a ONG é sempre bem burocrático porque a pessoa tem que entender que ela está adotando um ser de sentimentos e não um objeto para viver num canil sujo e trancado. A pessoa que adota um animal tem que saber que ele vive uma média de 10 anos. Tem que saber que ele gerará custo veterinário e de alimentação. Então, se a pessoa não tem condição financeira nenhuma, a melhor coisa a fazer é não adotar. Porque depois ir para rede social dizendo que está dando seu animal, é muita crueldade com o animal e com aqueles que trabalham ativamente para evitar esse tipo de coisa. Em um caso desses, a pessoa vai ter que ir para os grupos de ajuda em rede social postar o animal e ver se alguém vai adotar, o que é muito difícil. As pessoas criam uma fantasia de que existe uma verba infinita e um lugar infinito para baixar todos os cachorros. Isso não existe, o que existe são canis de pura tristeza, porque os animais uma vez lá dentro ficarão mais de dez anos trancados até morrer”, explica.

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