Jornal Nova Época O Jornal do seu tempo

loader
X

Fale Conosco:

Aguarde, enviando contato!
<<< VOLTAR
UMA LUTA QUE ELAS ESTÃO VENCENDO
  • Compartilhe esse post
  • Compartilhar no Facebook00
  • Compartilhar no Twitter
  • Compartilhar no Whatsapp

UMA LUTA QUE ELAS ESTÃO VENCENDO

UMA LUTA QUE ELAS ESTÃO VENCENDO

DIA DA MULHER

A próxima terça-feira (8) será especial. A data marca as comemorações do Dia Internacional da Mulher. Elas têm o que comemorar porque, mesmo que a passos lentos, avanços ocorreram nos últimos anos, os quais resultaram no protagonismo feminino na sociedade, mas ainda há muito que ser conquistado.
A violência doméstica é uma luta diária de quem está envolvido/a no combate a essa mazela da sociedade, trabalha ou tem o dever de resguardar as vítimas dos seus agressores.

Na Região das Hortênsias, Canela está entre as cidades que adotaram políticas públicas, dispõem de equipamentos públicos e estrutura para proteger e atender aquelas que sofreram ameaças, agressões verbais ou físicas. Essa rede de amparo e proteção conta com a força, dedicação e o envolvimento de outras mulheres.

Uma delas é a responsável pela 2ª Vara da Comarca de Canela, juíza Simone Chalela. A magistrada liderou a implantação da Casa Vitória, um espaço que acolhe mulheres vítimas de violência. Desde a sua inauguração em agosto de 2021, o local já realizou mais de 380 atendimentos.

“Os números de ocorrências de violência doméstica após a inauguração da Casa Vitória aumentaram, o que era de se esperar, já que as vítimas, agora, se encorajam a fazer o registro, porque ficaram mais seguras com a existência de um local de acolhimento e proteção. Recebo, aproximadamente, entre três a quatro requerimentos de medidas protetivas por dia”, revela.

Já foram realizadas muitas prisões por violência doméstica desde que assumi a Comarca. Infelizmente, em alguns casos, a prisão é a única medida eficiente para parar o agressor e resguardar a vítima”, afirma.

 

MULHERES FORTES

A advogada Anne Grahl Müller, 36, também ocupa lugar de destaque na luta pelos direitos das mulheres e pelo fim da violência doméstica. Para ela, muito do desenvolvimento humano, registrado pelo Direito e pelas constantes alterações legislativas, foram conquistadas por mulheres que sabiam do seu papel fundamental numa sociedade sadia.

“Quero dizer que uma sociedade igualitária e assim, melhor, é construída por mulheres fortes, que lutam diariamente. Ao ter consciência do que se é, e por isso exigir seu espaço já torna as coisas melhores”, afirma. Sobre desafios das mulheres, Anne ressalta as cobranças que são feitas.

“Mulheres são cobradas por eficiência quando são mães e suas duplas, triplas jornadas. Mulheres são cobradas quando não são mães por suas escolhas e liberdades. Mulheres são cobradas pelos seus corpos e etc. Saber encontrar a sua verdade e o seu espaço também na esfera política e da economia é para mim um grande desafio atual”, afirma Anne.

Advogada acostumada a vivenciar casos em que mulheres são vítimas, ela aponta o empoderamento feminino como caminho para a igualdade. “O empoderamento é um esforço para buscar elevar o status da mulher por meio de educação e conscientização. Isso permite que as mulheres tomem decisões com mais liberdade para buscar seus objetivos. E isso não é uma alternativa, é o caminho civilizatório”.

“Sejamos o que quisermos ser e na mesma medida, respeitemos o direito das outras mulheres de ser quem elas quiserem”, finaliza.

 

EDUCAÇÃO COMO BASE PARA A MUDANÇA

Para chegar ao posto de juíza de Direito, Simone superou obstáculos. “Fiz concurso público de provas e títulos para a Magistratura Estadual e me considero uma pessoa privilegiada por conseguir exercer a profissão que sou vocacionada e que me realiza integralmente. Não consigo me imaginar exercendo outra profissão hoje em dia. Quando me perguntam dicas de como passar em concurso público, eu sempre digo que a pessoa precisa estudar muito e, também, acreditar em si e no seu potencial, mesmo que poucos acreditem”, aconselha.
Para Simone, os desafios das mulheres em sociedade também são muitos. “A luta pelo reconhecimento de sua igualdade com os homens de forma integral, não só no papel. Seja no trabalho, em que ainda existem diferenças salariais mesmo quando ocupam os mesmos cargos que os homens; na política, em que ainda é necessária a reserva de cota de gênero eleitoral para as vagas ocupadas pelas mulheres; nos lares, em que muitas são vítimas em silêncio de violência doméstica e, infelizmente, na sociedade, no machismo estrutural que sofremos, muitas vezes de forma velada”, comenta ela, sobre os desafios das mulheres em sociedade.

UMA LUTA QUE ELAS ESTÃO VENCENDO

JUÍZA Simone Chalela

“A mulher tem um papel imprescindível e indispensável para uma sociedade melhor. Afinal, além de gerar vidas, na grande maioria dos casos são responsáveis pela educação, muitas vezes sozinhas, das novas gerações. A educação da sociedade é a base para a mudança que tanto precisamos nos dias atuais”, complementa. A juíza lembra que o empoderamento feminino é uma espécie de levante das mulheres para consolidar seus espaços. “O empoderamento feminino faz parte do crescimento das mulheres para que consigam ocupar de fato e de direito seus papéis na sociedade. Espaços de destaque e mais relevantes dependem de pessoas mais seguras de si e do seu potencial”, afirma.
“Nós mulheres devemos ter mais união, empatia, compaixão e sonoridade umas com as outras. O pior tipo de preconceito e discriminação é quando parte de alguém do mesmo gênero. Devemos buscar nossa independência financeira e emocional, e lutar juntas para que a sociedade respeite e reconheça nosso papel e contribuição para um futuro diferente do que ainda precisamos enfrentar nos dias de hoje”, conclui.

 

OS DESAFIOS E O FEMINISMO

O NE convidou três mulheres para responder quais os principais desafios das mulheres e como superá-los? O que é feminismo para você?

“Um dos maiores desafios ainda é a falta de informação, falta de mercado de trabalho/autonomia financeira para seu auto sustento e de seus filhos, o que acaba por legitimar uma dominação de gênero, aprovando relações abusivas em todos os sentidos, legitimando os altos índices de violência doméstica. O feminismo tem muitas críticas para quem desconhece , mas é uma luta de direitos sociais das mulheres, muitas conquistas ao longo dos anos já foram obtidas, mas acho que não devemos parar nunca, pois a caminhada ainda é longa, ainda temos altos índices de feminicídios em Canela e no restante do Brasil.”

Aneline Schmitt, assistente social


“Para mim, são três os principais desafios. Índices crescentes de violência doméstica. Os números que não param de crescer mostram uma carência de políticas públicas para conter agressores e de apoio as vítimas. Aumentar a participação da mulher no mercado de trabalho, com funções e salários iguais. Por incrível que possa parecer ainda estamos muito longe de um ideal. Leis que amparem e que sejam efetivas com relação a esse assunto são essenciais, assim como uma maior representatividade da mulher no poder legislativo. Participação desigual entre companheiros na vida doméstica. Além de todas as atribuições diante do mercado de trabalho, as mulheres ainda são sobrecarregadas no que diz respeito aos afazeres domésticos, tudo isso, uma herança ainda presente do machismo estrutural que foi ensinado às crianças. Fazer essa avaliação sobre nosso presente reforça mais ainda a importância permanente do movimento feminista na sociedade. Movimento político, consistente, que de forma organizada visa promover ações e pensamentos críticos sobre o mundo atual. O feminismo não existe para obrigar as mulheres a nada, só queremos que todas tenham, um dia, direito a tudo que é fundamental.”

Dani Bath, fotógrafa


“Vivemos em uma sociedade culturalmente machista, apesar da popularização dos debates sobre a igualdade de gêneros, o feminismo e o combate ao machismo, ainda é comum ler e ouvir relatos sobre desigualdades salariais e raciais, violência sexual e doméstica, feminicídio, baixa representatividade política, entre outros. É inegável que as últimas décadas foram um grande avanço em relação aos direitos das mulheres, mas ainda temos inúmeros desafios para enfrentar. É importante que haja uma mudança cultural em todas as áreas e que o empoderamento feminino seja uma constante na vida de todas as mulheres. Temos que estar atentas para ajudar e compreender outras mulheres e lutar, a cada dia, contra estereótipos que a sociedade nos impõe. Entendo que o feminismo defende a condição de igualdade entre homens e mulheres na sociedade e o direito de decidirem sobre sua vida individualmente quanto no âmbito político e coletivo. Não se trata de buscar impor algum tipo de superioridade feminina, mas igualdade entre os sexos.”

Melissa Prestes, escrivã de Polícia

  • Compartilhe esse post
  • Compartilhar no Facebook00
  • Compartilhar no Twitter
  • Compartilhar no Whatsapp

Olá, deixe seu comentário para UMA LUTA QUE ELAS ESTÃO VENCENDO

Enviando Comentário Fechar :/

Últimas Notícias

Matérias de Capa

PUBLICIDADE Jornal Nova Época